- Helen Sharman tornou-se a primeira astronauta britânica, indo para a Estação Mir em Soyuz TM-12 por oito dias, em de 18 de maio de 1991.
- Ela conseguiu a vaga após responder a um anúncio que dizia “Astronauta desejado. Sem necessidade de experiência” durante uma maratona de rádio em 1989.
- A missão Juno foi financiada por parceria privada e levou o treino de dezoito meses ao Star City, próximo a Moscou, em uma instalação militar conhecida como Unidade Militar 26266.
- Durante o período em Star City, Sharman criou laços com cosmonautas como Anatoly Artebarvsky e Sergei Krikalióv, e recebeu apoio de Alexei Leonov, que lhe presenteou com um macacão rosa no jantar de comemoração em Mir.
- A iniciativa ocorreu no contexto do fim da Guerra Fria, com a busca por investimento estrangeiro para manter o programa espacial soviético; o Reino Unido parabenizou a missão pela cooperação científica entre as nações.
Helen Sharman, química de Sheffield, tornou-se a primeira britânica a ir ao espaço ao embarcar na cápsula Soyuz TM-12 rumo à estação Mir, em 18 de maio de 1991. A missão, financiada por meio de um consórcio privado, durou oito dias. O objetivo era promover cooperação científica entre Britânia e União Soviética durante o fim da Guerra Fria.
A seleção ocorreu após um anúncio de recrutamento com a exigência de pouca experiência. De 13 mil candidatos, apenas quatro foram a Star City, perto de Moscou, para treinamento intensivo de 18 meses, preparando-se para condições de microgravidade.
Antes do lançamento, Sharman relata em sua biografia que houve uma espera de dignidade e adaptação ao rígido sistema soviético de treinamento, que incluía instalações de alto segredo e uma vida de acesso restrito.
Treinamento em Star City
Durante o período de preparação, Sharman morou em um apartamento espaçoso em Star City, com apoio de motorista, e chegou a planejar ter seu próprio carro. O local era conhecido por ser uma base de treinamento de cosmonautas, restrita e pouco visível em mapas da época.
Ela foi selecionada entre 13 mil candidatos e integrou o grupo final de quatro que voariam. Em entrevistas, a própria Sharman comentou que não sabia exatamente o que os avaliadores buscavam, apenas que possuía qualidades diferenciadas.
Além do treino técnico, a convivência com cosmonautas marcaria o relacionamento entre equipes de diferentes nações. Alexei Leonov, pioneiro da caminhada no espaço, acompanhou a equipe de Sharman ao lançamento e presenteou-a com uma peça simbólica, fortalecendo os laços entre os participantes.
O dia do lançamento e o impacto
Ao chegar ao Mir, a britânica dividiu momento de celebração com a tripulação russa, em meio a um cenário de cooperação entre Estados. A missão Juno foi idealizada para criar uma parceria científico-financeira entre o Reino Unido e a extinta União Soviética, mas enfrentou dificuldades de financiamento.
Ao longo de sua permanência, Sharman destacou a importância da cooperação internacional em programas espaciais, ressaltando que a experiência abriu espaço para uma visão compartilhada de exploração espacial além de competitividade entre nações.
A participação britânica na missão ocorreu num contexto de reformulação política na União Soviética, com Gorbachov promovendo reformas para atrair investimentos estrangeiros e manter o impulso tecnológico. A missão serviu como símbolo de cooperação pacífica entre países.
O financiamento do projeto teve desafios, com a instituição bancária Moscow-Narodny Bank tendo de apoiar o empreendimento, diante de críticas ao custo elevado dos programas espaciais. Mesmo assim, os oito dias no espaço representam avanço nas relações anglo-soviéticas.
Legado e memória
Anos depois, Sharman comentou sobre a importância de ter superado barreiras nacionais para alcançar objetivos comuns na exploração espacial. A experiência em Star City e no espaço foi marcada por amizades com cosmonautas e pela percepção de que a cooperação internacional pode facilitar avanços científicos.
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