- Em 21 de fevereiro de 1986, aos 22 anos, foi diagnosticado HIV positivo em Londres, no dia do aniversário de 21 anos da irmã, recebendo uma previsão de morte precoce.
- Recusou continuar um teste com AZT em 1991 e, a partir de 1996, passou a ser considerado “undetectável”, com carga viral não mensurável e sem necessidade de tratamento antirretroviral.
- Seu ex-parceiro, Colin, morreu em 1993; Boakye seguiu a vida profissional em materiais de promoção de saúde sexual e lançou a BetterDays, uma empresa de cartões para minorias étnicas.
- Atualmente com mais de sessenta anos, ele é um dos poucos HIV positivos com contagem de CD4 alta há décadas, e participa de pesquisas sobre reservatórios de HIV e controle natural da doença, em instituições como o Imperial College London, Harvard e Erasmus MC.
- Vive com sentimento de culpa de sobrevivente, busca contribuir para a ciência e acredita que o estudo de controladores elite pode levar a avanços no tratamento e na cura.
Paul Boakye, diagnosticado com HIV em 1986, vive sem sintomas ou medicação há mais de quatro décadas. Ele é considerado um “controleiro de elite” pela comunidade de pesquisa, grupo que mantém o vírus sob controle sem antirretrovirais. O caso dele ajuda a entender possíveis caminhos para a cura.
O diagnóstico ocorreu em 21 de fevereiro de 1986, em Londres, aos 22 anos. Naquela sexta-feira, ele foi buscar os resultados no consultório de uma clínica de doenças sexualmente transmissíveis, após ter ido ao centro da cidade em busca de um cartão para a irmã. A notícia mudou sua vida desde então.
Boakye relata que, nos anos seguintes, afastou-se de festas e viveu sob a sombra da doença, chegando a acreditar que não veria o fim da juventude. Mesmo assim, manteve foco no trabalho e em projetos para comunidades negras e de homens que fazem sexo com homens.
Nos anos 1990, participou de um estudo com AZT, medicamento antirretroviral da época. Por um momento, ele questionou a participação, optando por parar de tomar as pílulas. Desde 1996, seus exames mostraram carga viral indetectável, condição que persiste sem a necessidade de terapia.
Ele é uma das poucas pessoas HIV positivas que apresentam contagem elevada de CD4 sem tratamento, posição que representa menos de 0,05% dos pacientes segundo dados da área. Essa condição o coloca entre os chamados controles de elite ou não-progressos de longo prazo.
Ao longo da sua trajetória, Boakye desenvolveu trabalhos em promoção da saúde sexual e mobilização comunitária, especialmente voltados a jovens, comunidades africanas e homens que fazem sexo com homens, sempre buscando entender os impactos sociais da doença.
Em 2025, ele passou a colaborar com equipes de pesquisa em HIV em institutos como Imperial College London, Harvard e Erasmus MC, além de participar de projetos que estudam reservatórios do vírus no corpo humano. O objetivo é compreender por que alguns indivíduos mantêm o vírus sob controle sem medicamentos e se isso pode orientar futuras estratégias de cura.
Boakye descreve a experiência de viver com HIV há décadas como uma resposta contínua de resistência, lembrando que muitos perderam a batalha ao longo do tempo. Ele espera que seus dados contribuam para avanços científicos e, eventualmente, para soluções para a população mundial.
Como autor de peças teatrais, Boakye também usa sua trajetória para ampliar a conscientização sobre a doença, mantendo o foco na ciência e no apoio à comunidade. Ele reforça o compromisso com pesquisas que possam esclarecer o papel da imunidade natural na luta contra o HIV.
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