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Risco de mordidas de cobras aumenta conforme répteis se adaptam às mudanças

Risco de picadas aumenta globalmente à medida que serpentes migram para áreas humanas com o aquecimento, cobrando planejamento de estoques de antiveneno e serviços de saúde

The Mozambique spitting cobra. Snakes are coming into greater contact with people as a result of climate disruption, the researchers said.
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  • Estudo da Organização Mundial da Saúde aponta que o aquecimento global aumenta o contato entre humanos e cobras peçonhentas, elevando o risco de picadas.
  • Espécies como cobras cuspadoras na África, víperas na Europa e na América do Sul, mocas-cascavel na América do Norte e kraits na Ásia devem migrar para novas áreas, ampliando encontros com pessoas.
  • O risco também recai sobre as próprias cobras: muitos habitats são convertidos em fazendas e cidades, e algumas espécies podem chegar a regiões onde há menos controle de risco.
  • Projeções para 2050 e 2090 indicam mudanças de alcance, com exemplos como a mamba-negra avançando para a África do Sul, mocassins chegando a Nova York e kraits atingindo centros urbanos chineses.
  • A estimativa atual é de cerca de quatro milhões de casos anuais de picadas, com 138 mil mortes e 400 mil incapacidades, e o estudo busca orientar autoridades de saúde sobre estoque de antivenenos e preparação dos serviços.

O risco de picadas de cobras venenosas aumenta em todo o mundo, à medida que esses répteis mudam de habitat para lidar com temperaturas mais altas e pressões humanas. O estudo, liderado pela Organização Mundial da Saúde, aponta maior contato entre pessoas e serpentes em várias regiões.

Cobras que cuspam veneno na África, vipers na Europa e na América do Sul, mocas de crocodilo na América do Norte e kraits na Ásia passam a se encontrar com mais frequência com a população, devido ao aquecimento climático e à expansão de áreas urbanas e agrícolas.

O estudo, publicado na PLOS Neglected Tropical Diseases, usa dados públicos e privados, ciência cidadã, museus e literatura para mapear 508 espécies perigosas em uma grade de 1 km². As projeções consideram 2050 e 2090 para sobreposição com populações humanas.

Entre os resultados, os autores destacam que o maior impacto é sobre as próprias cobras, com muitas espécies enfrentando declínio de habitat. Algumas, no entanto, devem migrar para áreas novas, aumentando o risco de choque com pessoas não acostumadas à presença de serpentes.

Em termos geográficos, a mamba preta pode recuar do litoral do Quênia e expandir-se para a África do Sul, Nigéria e Somália. Outros exemplos incluem cobras no Amazonas, Papua-Negra e Oceania, que podem sofrer com a perda de florestas e o surgimento de áreas agrícolas e urbanas.

Implicações para saúde pública

O deslocamento de perigosas serpentes pode levar a encontros em pátios, áreas de água, fazendas e espaços de lazer, conforme o estudo. Países com menor acesso a serviços de saúde tendem a ter maiores impactos.

Presidentes de comunidades rurais e áreas remotas podem enfrentar maiores dificuldades para obter tratamento rápido e antiveneno, o que aumenta o risco de complicações e mortalidade nos casos de acidente.

Medidas sugeridas

Os pesquisadores ressaltam que os resultados ajudam autoridades a direcionar recursos. Entre as ações, está o estoque estratégico de antiveneno, a capacitação de unidades de saúde para manejo de acidentes e a melhoria de acessibilidade a comunidades de risco.

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