- Sachês de nicotina são proibidos pela Anvisa, mas são vendidos na internet no Brasil, com entrega para São Paulo em lojas identificadas entre 18 e 21 de maio.
- O Valor identificou ao menos cinco plataformas de revenda ativas com marcas como Velo, Zyn e Slapple, comercializando online.
- BAT e Philip Morris Brasil afirmaram não comercializar nem ter relação com os sachês; a Slapple não respondeu; Senacon disse trabalhar para coibir vendas em marketplaces.
- A OMS aponta aumento global de mais de cinquenta por cento nas vendas de sachês em 2024, com cerca de 23 bilhões de unidades; o mercado global chegou a quase US$ 7 bilhões em 2025.
- A OMS também ressalta riscos à saúde, com concentrações de nicotina altas e potencial de dependência, além de impactos em jovens e na saúde bucal.
Sem autorização da Anvisa, sachês de nicotina permanecem à venda na internet brasileira. Entre 18 e 21 de maio, o Valor identificou itens de marcas como Velo, Zyn e Slapple com entrega para São Paulo. Os produtos não têm registro no país e a comercialização é considerada ilícita pela agência.
Diferente do snus tradicional, os pouches combinam nicotina (origem natural ou sintética) com preenchimentos como celulose e aromatizantes, sem folha de tabaco. No Brasil, tanto snus quanto pouches são proibidos, mas atuam em plataformas de comércio eletrônico.
Plataformas de venda e resposta das marcas
Em quatro dias de monitoramento, foram localizadas ao menos cinco plataformas ativas vendendo os sachês. Os atendentes confirmaram a disponibilidade de envio para São Paulo e recebimento de pagamentos via site. Um vídeo com embalagens foi enviado pela reportagem.
As marcas envolvidas negam comercialização no Brasil. A BAT, proprietária da Velo, e a Philip Morris Brasil, responsável pela Zyn, afirmaram não comercializar nem ter relação com operadoras ilegais. A Slapple não respondeu aos contatos.
Ações regulatórias e panorama global
A Senacon informou que já realizou operação para retirar lojas que vendiam ilegalmente sachês e que trabalha para aperfeiçoar diretrizes de marketplaces. A Anvisa não comentou o caso, mas ressalta que a regulamentação dessas bolsas está no radar para 2026-2027; no momento, não há autorização de registro.
A OMS aponta riscos e tendências globais. O relatório recente destaca que cerca de 160 países não possuem regulamentação específica, com apenas 16 proibindo a venda e 32 adotando restrições variadas. Em 2024, as vendas varejistas mundiais de sachês superaram 23 bilhões de unidades, com alta superior a 50%.
Implicações para a saúde pública
A OMS ressalta concentrações de nicotina entre 50 e 150 mg/g em alguns sachês, superiores às de cigarros tradicionais. Especialistas alertam que, apesar de não haver fumaça, o uso pode manter ou ampliar a dependência, com impactos na saúde bucal, desenvolvimento neural em jovens e risco de doenças metabólicas.
Entre na conversa da comunidade