- O teste imunoclonico fecal (FIT) passa a ser o exame de referência para rastreamento do câncer de intestino em pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos no SUS.
- A medida pode ampliar o acesso à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros e prevê dados de 53,8 mil novos casos no triênio 2026–2028.
- O FIT detecta sangramentos ocultos com anticorpos específicos contra hemoglobina humana, apresentando maior precisão e menos falsos positivos.
- Caso o FIT seja positivo, o protocolo determina encaminhamento imediato para colonoscopia, que permite visualização direta e remoção de pólipos.
- O protocolo é voltado a quem não apresenta sintomas; pessoas com sinais de alerta devem buscar avaliação médica independente da faixa etária.
O Ministério da Saúde anunciou um protocolo nacional inédito de rastreamento do câncer de intestino no SUS. O teste FIT passa a ser o exame oficial para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos, com coleta simples em casa. O anúncio ocorreu durante agenda oficial em Lyon, na França, pelo ministro Alexandre Padilha.
A estratégia tem potencial para ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros. O câncer de intestino é o segundo tumor mais frequente no Brasil, atrás apenas do melanoma cutâneo, com estimativa de 53,8 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, segundo o Inca.
O FIT é um exame laboratorial de fezes que detecta sangue oculto de maneira mais precisa, usando anticorpos que reagem apenas com a hemoglobina humana. A coleta é simples: o paciente retira um kit na unidade de saúde, faz uma única amostra em casa e devolve o tubo lacrado ao laboratório. Não há necessidade de preparo intestinal nem de dieta restritiva.
Segundo o oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas, a adoção do FIT alinha o Brasil aos programas internacionais de rastreamento populacional. Ele destaca a relação custo-benefício em comparação com colonoscopias aplicadas indiscriminadamente na população sem sintomas.
Protocolo do FIT
A diretriz recomenda rastreamento a partir dos 50 anos, inicialmente, para a população geral sem sintomas. Um resultado positivo não indica doença confirmada, pois condições benignas como hemorroidas e fissuras também podem indicar alterações. O encaminhamento imediato para colonoscopia é previsto em caso de alterações no FIT.
A colonoscopia continua como padrão-ouro, permitindo visualização direta do intestino e remoção de pólipos durante o procedimento. O novo protocolo é voltado exclusivamente a pessoas sem sinais de alerta, ou seja, sem sangramento evidente, anemia ou dor abdominal persistente.
Casos com histórico familiar de câncer colorretal ou síndromes genéticas devem seguir orientação médica para um cronograma de acompanhamento precoce. Em situações de sintomas visíveis, a investigação individualizada continua sendo recomendada, independentemente da faixa etária.
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