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Ouvir a mesma música sincroniza batimentos e atividade cerebral

Ouvir a mesma música sincroniza cérebros e corações, ampliando a experiência coletiva e abrindo espaço para criatividade compartilhada, segundo Ramírez Bermúdez

O mexicano Jesús Ramírez Bermúdez é neuropsiquiatra e escritor
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  • O neuropsiquiatra mexicano Jesús Ramírez Bermúdez, autor de La melancolía creativa, afirma que artes como música e literatura ajudam a sincronizar cérebros e corações quando pessoas compartilham a mesma obra.
  • Em entrevista no festival Centroamérica Cuenta, no Panamá, ele diz que a sincronização ocorre tanto no cérebro quanto no coração, desde que haja atenção plena entre os interlocutores.
  • Bermúdez explica que o conectoma humano investiga como cerca de 100 bilhões de neurônios se comunicam para formar a experiência de um indivíduo unificado.
  • Ele diferencia tristeza de depressão: a tristeza é um sentimento cotidiano e transitório; a depressão é uma síndrome clínica com múltiplas causas.
  • O livro sustenta que a melancolia criativa pode impulsionar a criatividade e oferecer um sentido compartilhado na experiência artística, promovendo esperança.

O neuropsiquiatra e escritor mexicano Jesús Ramírez Bermúdez fala sobre como a música e a arte afetam nosso cérebro e nosso coração. Ele sugere que a tristeza pode ser transitória e, em muitos casos, impulsiona a criatividade.

Em seu livro La melancolía creativa, ele reúne história da medicina, psiquiatria e neurociência para investigar a relação entre melancolia e criação. A obra baseia-se em pesquisas e na prática clínica do autor.

Durante o festival Centroamérica Cuenta, no Panamá, Ramírez Bermúdez explicou que a arte ajuda as pessoas a se sincronizarem, tanto neuronalmente quanto cardíaca­mente, especialmente quando há atenção plena entre quem ouve ou lê o mesmo conteúdo.

Conectoma humano

Ramírez Bermúdez estuda casos clínicos que vão além do senso comum, como pacientes cegos com alucinações visuais ou amnésicos com lembranças falsas. O foco é entender como 100 bilhões de neurônios se comunicam para criar uma experiência de consciência.

Ele também analisa a sincronização entre pessoas, destacando que a cooperação entre atenção e percepção facilita a sincronização de neurônios e batimentos cardíacos, evento comum em apresentações públicas de artistas. O fenômeno não ocorre caso alguém esteja desatento.

Outro ponto é o interesse do autor pelo conectoma humano, que investiga como o cérebro integra informações para formar uma experiência unificada de ser. Em palestras, ele cita estudos que associam essa sincronização à experiência coletiva em shows.

Melancolia e história médica

A obra recupera a origem médica da melancolia, ligada à antiga ideia da bile negra. O termo aparece em textos gregos e em Aristóteles, mas deixou de ser diagnóstico médico no século XX, substituído pela depressão.

Para Ramírez Bermúdez, depressão e tristeza não são sinônimos, ainda que a linguagem comum as utilize como equivalentes. Tristeza é um sentimento passageiro, com lições que ajudam a seguir adiante.

Na visão dele, a melancolia ocupa um papel central na cultura ocidental e pode, paradoxalmente, abrir caminhos criativos, ao ligar sofrimento a expressões artísticas.

A tela da melancolia

O escritor aponta que a relação entre arte e depressão oferece sentido à melancolia, que pode transformar a visão de mundo e provocar a criação. O livro enfatiza a ideia de que a criatividade é acessível a todos, não apenas a poucos.

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