- Entidades da área de oftalmologia divulgaram nota técnica sobre riscos do uso indiscriminado de corticoides, incluindo colírios e remédios orais, sem orientação médica.
- O documento aponta que o uso inadequado pode aumentar a pressão intraocular e levar a glaucoma, doença que pode causar cegueira irreversível.
- Recomenda-se maior controle na venda de corticoides em farmácias, com prescrição médica, rastreabilidade da dispensação e monitoramento da pressão intraocular em uso prolongado.
- Médicos devem priorizar corticoides de menor potência e o menor tempo necessário, além de evitar automedicação.
- Grupos com maior risco incluem crianças e adolescentes, pessoas com histórico familiar de glaucoma, pressão intraocular elevada, alta miopia ou diabetes, entre outros; acompanhamento oftalmológico é essencial.
Uma nota técnica, assinada por entidades da ophthalmologia, alerta para riscos do uso indiscriminado de corticoides, sejam eles orais ou tópicos como colírios. O objetivo é ampliar o controle de venda e evitar automedicação.
O documento, divulgado na última quinta-feira, 21, foi encaminhado à Anvisa, ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional. O texto defende prescrição médica para corticoides, rastreabilidade da dispensação e monitoramento da pressão intraocular em uso prolongado.
Especialistas destacam que o uso sem acompanhamento pode elevar a pressão intraocular e danificar o nervo óptico, aumentando o risco de glaucoma. Catarata também pode ocorrer com uso prolongado, em adultos e crianças.
A recomendação é que médicos priorizem corticoides de menor potência e a menor duração necessária. Acompanhamento oftalmológico regular é essencial durante tratamentos prolongados para detectar alterações na visão.
Grupo de risco e contexto
O glaucoma é responsável por danos ao nervo óptico e pode levar à cegueira irreversível. O documento aponta que o risco é maior em grupos específicos, como pessoas com mais de 40 anos, histórico familiar, alta miopia, afrodescendência e doenças como diabetes e hipertensão.
Crianças e adolescentes aparecem entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos dos corticoides, segundo o presidente da SBG. Em muitos casos, a interrupção do tratamento é necessária para normalizar a pressão ocular, o que pode levar meses.
Tempo e dose também influenciam o potencial de dano. Segundo especialistas, o glaucoma induzido por corticoide depende do tempo de uso e da dose; ciclos prolongados elevam o risco, principalmente entre jovens.
Sinais e diagnóstico
No Brasil, estima-se que cerca de 1,7 milhão convivam com glaucoma. O diagnóstico precoce é um desafio, pois a doença costuma evoluir silenciosamente. Em fases avançadas, pode haver perda de visão periférica e dor ocular.
A nota técnica reforça que médicos que prescrevem corticoides para outras condições devem orientar pacientes sobre a necessidade de acompanhamento oftalmológico, especialmente se já houver histórico de glaucoma.
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