- Cientistas usaram laser LiDAR para mapear estruturas maias na Guatemala sem derrubar árvores, revelando uma rede urbana interconectada.
- Os dados sugerem população maior do que as estimativas antigas, com mais de 10 milhões de pessoas na região, em vez de cerca de 2 milhões.
- O mapeamento mostra infraestrutura avançada: rodovias elevadas, canais de irrigação e fortificações com muralhas e fossos.
- Também há indícios de plataformas domésticas elevadas para proteção contra enchentes, indicando manejo complexo do espaço rural.
- As descobertas, apoiadas por um consórcio internacional e pela National Geographic, reabrem dúvidas sobre guerras e organização territorial maia.
O estudo utilizou laser para mapear estruturas maias na Guatemala sem derrubar árvores da reserva florestal. O trabalho revelou uma rede urbana interconectada, desafiando estimativas sobre a população nativa anterior à colonização europeia. Os pesquisadores afirmam que o LiDAR permite enxergar através do dossel.
Mulheres e homens da equipe destacam que milhares de estruturas foram localizadas com precisão, incluindo vias, canais e fortificações. O mapeamento foi feito por aeronaves equipadas com sensores que emitem milhões de pulsos de laser por segundo, alcançando o solo e retornando aos sensores.
Os dados processados por software removem digitalmente as árvores, exibindo o relevo limpo. Assim, é possível identificar padrões geométricos não formados pela natureza, sinalizando infraestrutura pública antiga.
LiDAR: como funciona
O sistema utiliza lasers e sensores acoplados a aeronaves. Os pulsos atingem o solo e retornam, permitindo medir distâncias com alta precisão. O processamento gera modelos de elevação que passam por filtragem para excluir a vegetação.
Essa técnica identifica estruturas urbanas extensas, como rodovias elevadas entre centros, canais de irrigação e fortificações com fossos. Plataformas elevadas podem indicar habitações protegidas contra enchentes.
Tamanho da população antiga
Censos históricos estimavam poucos milhões de habitantes na região. Os novos dados sugerem ocupação urbana contínua de alta densidade nas planícies tropicais. A infraestrutura agrícola aponta para gerenciamento territorial em escala industrial.
Em comparação com estimativas antigas, o estudo aponta população superior a 10 milhões, conectividade urbana de até 240 km de rodovias e áreas de cultivo extensas.
Fortificações e impacto histórico
A presença de muralhas extensas e fossos profundos sugere conflitos frequentes e bem planejados. Esse cenário contrasta com a visão de uma civilização maia baseada apenas em alianças pacíficas entre cidades independentes.
O trabalho contou com apoio internacional e teve ampla divulgação, destacando que disputas territoriais moldaram o planejamento dinástico maia. A pesquisa não atribui interpretações políticas, mantendo o foco nos dados.
Limitações do mapeamento
O mapeamento com laser aponta a localização de estruturas, mas não determina idade dos materiais nem funções rituais. A técnica foca em formas superficiais do terreno, complementando escavações futuras.
A equipe ressalta que o laser economiza tempo e recursos ao indicar áreas de interesse, contribuindo para entender a evolução social humana por meio de ciência moderna. As descobertas reforçam o papel do investimento técnico na arqueologia.
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