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Digissexualidade: especialista da USP explica relação com dependência tecnológica

Digissexualidade redefine a intimidade na era digital, com IA e chats moldando romances e isolamento social, impactando o desenvolvimento humano

Carla Cavalheiro Moura é coordenadora do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.
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  • Digissexualidade é um termo cunhado por volta de dois mil e dezessete para explicar novas interações sexuais com tecnologia, sobretudo com inteligência artificial; não é transtorno ou diagnóstico.
  • A ideia é que, além da relação sexual, haja também amor, romantismo e afeto estimulados por IA, realidade virtual e robôs cada vez mais realistas.
  • Relacionamentos com chatbots estão surgindo, com relatos de pessoas se sentindo completas sem contato presencial, o que pode levar a dependência tecnológica.
  • A dependência da tecnologia aumenta a solidão e reduz interações presenciais, o que pode impactar habilidades sociais e desenvolvimento da linguagem em crianças.
  • Profissionais ressaltam a necessidade de conscientizar sobre os riscos, buscar manter ou retomar relações presenciais e manter um olhar crítico sobre o que é ganho e o que se pode perder com a digitalização da sexualidade.

Um estudo sobre digissexualidade é apresentado pela pesquisadora Carla Cavalheiro Moura, professora do Ambulatório de Dependência Tecnológica da USP. A entrevista aborda como a IA e a tecnologia moldam a sexualidade contemporânea, em especial entre as novas gerações.

A digissexualidade não é transtorno nem diagnóstico. O termo foi cunhado em 2017 para explicar novas interações sexuais facilitadas pela tecnologia, especialmente pela IA.

Segundo o pesquisador Mark Arthur, há duas ondas da digissexualidade: a primeira, mediada pela tecnologia, e a segunda, mais imersiva com IA, realidade virtual e robôs cada vez mais realistas.

O filme Ela, de Spike Jonze, é citado para ilustrar a tendência: relacionamentos românticos com IA que vão além do sexo, incluindo afeto e companheirismo.

A especialista destaca que a dependência tecnológica cresce junto com a presença constante de smartphones, o que altera espaços de convivência e relações presenciais.

Há relatos de pessoas se relacionando com chatbots e chegando a vivenciar interações sexuais, muitas vezes sem reconhecer a diferença em relação a relações humanas.

A epidemia de solidão é citada como contexto para a digissexualidade, com impactos na linguagem, no desenvolvimento de habilidades sociais e na prática de interações presenciais.

Linhas de estudo apontam atrasos no desenvolvimento da linguagem em crianças que passam mais tempo diante das telas, reforçando a necessidade de equilíbrio entre digitais e presenciais.

A pesquisadora ressalta que a interface tecnológica pode oferecer diálogos, mas não substitui a troca humana real, essencial para o desenvolvimento social.

Sobre os riscos, aponta que a convivência presencial deve permanecer parte da experiência sexual para a plena troca entre pessoas, conforme a visão da ciência.

Entre os desdobramentos, mencionam-se mudanças na percepção de prazer e nos padrões de comportamento sexual entre os jovens, com mais masturbação e menos busca por relações presenciais.

Para orientar pacientes e famílias, o Ambulatório de Dependência Tecnológica recomenda conscientização sobre os efeitos da tecnologia nas intimidades e incentivo à convivência humana.

O que fazer

A instituição orienta buscar apoio quando houver sinais de dificuldade para manter vínculos presenciais ou compreender a própria sexualidade no contexto digital.

Caso haja interesse em orientação, o Ambulatório disponibiliza informações sobre atendimento e apoio especializado.

Para saber mais, a instituição sugere entrar em contato com o Ambulatório de Dependência Tecnológica.

Observação final: o conteúdo apresentado não substitui avaliação clínica individual e busca informar sobre tendências no campo da psicologia e da tecnologia.

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