- Com o avanço do deserto no sudoeste de Marrocos, aldeias da região de Aït Baâmrane passaram a capturar neblina nas montanhas para virar água potável.
- Mulheres dessas comunidades caminhavam até quatro horas por dia até poços remotos, carregando barris de quase 25 quilos na cabeça, rotina que limitava a escola de meninas e moldava a vida local.
- A solução começou a surgir com redes de polímero instaladas nas encostas do Monte Boutmezguida, a mais de 1.200 metros de altitude.
- O objetivo é aproveitar a umidade da neblina atlântica que cruza a cordilheira do Anti-Atlas, fazendo as gotículas se condensarem em água.
- A abordagem é apresentada como uma alternativa simples e eficiente para obter água em áreas extremamente secas, onde poços tradicionais secam.
Na região de Aït Baâmrane, no sudoeste de Marrocos, aldeias estão recorrendo a um recurso inusitado: capturar a neblina das montanhas para produzir água potável. O movimento ganha força à medida que o deserto avança e os poços se secam.
As mulheres das comunidades passam várias horas diárias buscando água em poços remotos, enfrentando o peso de barris de quase 25 quilos na cabeça. A prática molda o cotidiano local e impacta a educação de meninas na faixa litorânea do Saara.
Origens da ideia
Nos anos 1980, pesquisadores do Deserto do Atacama observaram que uma simples tela metálica pode reter gotículas d’água quando exposta ao vento durante a noite. A experiência acabou gerando uma técnica que, décadas depois, serviu de inspiração para projetos semelhantes.
Tecnologia aplicada no monte Boutmezguida
Agora, redes de polímero são instaladas nas encostas do Monte Boutmezguida, a mais de 1.200 metros de altitude. A proposta é usar a umidade da neblina atlântica que cruza a cordilheira do Anti-Atlas. As malhas capturam gotículas, que condensam e se transformam em água potável.
Impacto nas comunidades
A iniciativa visa reduzir a dependência de poços cada vez mais escassos e trazer água para uso doméstico e agrícola. A adoção de sistemas de neblina pode favorecer o acesso à água, favorecer a permanência escolar de crianças e diminuir o esforço das mulheres na região.
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