- Entre os dias 23 e 24 de maio, RDC e países vizinhos adotaram medidas mais restritivas para conter o Ebola, com foco na vigilância sanitária e restrições de deslocamento.
- A desinformação é apontada como agravante, com teorias conspiratórias impactando comportamentos de proteção e aceitação de informações oficiais.
- Uganda suspendeu voos para Kinshasa e interrompeu trajetos até Bunia; em Ituri houve aumento de tensão e ataques a instalações de saúde.
- Os números mais recentes indicam 904 casos suspeitos e 220 mortes suspeitas, sendo 101 casos confirmados e 10 mortes confirmadas no leste do país (Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri).
- O diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreysus, está previsto para visitar a RDC e pediu ações imediatas dos países vizinhos diante da gravidade da epidemia.
O governo da República Democrática do Congo (RDC) e nações vizinhas adotaram medidas restritivas nos dias 23 e 24 de maio para conter o Ebola. Ações incluem suspensão de voos e restrições de circulação, diante de relatos de desinformação que agravam a crise, segundo especialistas ouvidos pela RFI.
Na prática, Uganda interrompeu voos para Kinshasa e bloqueou rotas entre a capital congolesa e Bunia, no nordeste. Em Bunia, reuniões com mais de 50 pessoas passaram a ser proibidas. Enquanto isso, a República Centro-Africana reforçou vigilância e entradas do seu território.
O grupo AFC/M23 indicou isolamento de 21 dias para viajantes vindo de Ituri, região também no nordeste da RDC. Em Ituri, equipes da Cruz Vermelha realizam desinfecção de hospitais para tentar reduzir transmissão, conforme registro fotográfico de 21 de maio.
Até o momento, a RDC registra 904 casos suspeitos e 220 mortes suspeitas. Desses, 101 casos estão confirmados, com 10 óbitos confirmados no leste do país, que inclui Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, epicentro da atual epidemia.
O governo afirma buscar reduzir riscos de propagação e ampliar a segurança sanitária de viajantes. Críticas surgem ao passo em que o tráfego regional é afetado: Uganda interrompeu voos para Kinshasa, enquanto ligações terrestres a cidades como Beni e Kisangani seguem ativas.
Teorias conspiratórias
Em Mongbwalu, Ituri, episódios de violência contra hospitais acenderam tensão no fim de semana, com a intervenção de forças de segurança. Especialistas apontam que crenças socioculturais e desinformação alimentam o comportamento de risco entre populações locais.
Annie Modi, militante ouvida pela RFI, destacou que ideias de que a doença não existe ou de que comunidades estão sendo isoladas para controle de terras ajudam a comprometer ações de proteção. Essas narrativas também citam rituais fúnebres e contatos com falecidos como fatores.
Modi ressaltou que conflitos e abusos anteriores, além de falhas de comunicação, alimentam a desconfiança. Ela defende maior participação comunitária na concepção de mensagens e ferramentas de sensibilização para reduzir a rejeição às informações oficiais.
Acompanhamento internacional
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou que a epidemia é extremamente grave e difícil de gerir. Ele pediu cooperação imediata de Estados vizinhos para conter a transmissão.
Durante reunião online organizada pela Africa CDC, Ghebreyesus informou que o atraso na detecção inicial complicou a resposta, que precisa ser intensificada rapidamente. Ele deve visitar a RDC nesta terça-feira, 26 de maio, para avaliação in loco.
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