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Anabolizantes podem causar arritmias graves e morte súbita

Laudo aponta cardiomiopatia hipertrófica na morte de fisiculturista de 22 anos; especialistas alertam para risco de arritmias fatais associadas a anabolizantes

Atestado de óbito aponta que fisiculturista Gabriel Ganley teve morte súbita causada por uma doença no coração — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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  • O laudo aponta cardiomiopatia hipertrófica como causa da morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos. Especialistas ressaltam que anabolizantes podem alterar o músculo cardíaco e aumentar o risco de arritmias fatais.
  • A cardiomiopatia hipertrófica é o espessamento das paredes do coração, o que reduz o tamanho da cavidade interna e dificulta o enchimento do órgão.
  • O crescimento rápido do músculo cardíaco pode deixar o coração rígido, prejudicando a capacidade de bombear sangue, especialmente durante esforço físico.
  • A doença pode permanecer silenciosa por anos e a primeira manifestação pode ser a morte súbita; sintomas comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios.
  • Além do aumento do músculo cardíaco, os esteroides podem elevar a pressão arterial, alterar o colesterol e aumentar a coagulação, contribuindo para risco de tromboses e infartos.

O laudo de necropsia aponta cardiomiopatia hipertrófica como causa da morte do fisiculturista Gabriel Ganley, 22 anos. O documento não estabelece relação direta com o uso de hormônios, mas profissionais ouvidos pelo g1 indicam que anabolizantes podem alterar o músculo cardíaco e aumentar o risco de arritmias fatais.

O coração é um músculo que responde a hormônios de crescimento muscular. Quando o uso de esteroides ocorre, o órgão pode crescer de forma desorganizada, dificultando o enchimento ventricular e reduzindo a capacidade de bombear sangue.

O que é cardiomiopatia hipertrófica

A doença se caracteriza pelo espessamento das paredes do coração, o que reduz o espaço interno do ventrículo e dificulta o enchimento. O cardiologista Ricardo Katayose explica que a parede mais espessa torna o coração mais rígido e menos eficiente.

Essa hipertrofia pode ter origem genética ou ser agravada por hipertensão e uso prolongado de esteroides. Em jovens atletas, é uma das principais causas de morte súbita cardíaca.

Riscos e mecanismos

O aumento rápido da musculatura cardíaca pode superar a irrigação sanguínea, gerando lesões e fibrose, áreas de cicatrizes no músculo. Esses tecidos alteram o fluxo elétrico, facilitando arritmias graves.

Segundo o cardiologista Elzo Mattar, a fibrose serve como substrato para arritmias; sinais elétricos desviam ou travam, levando a batimentos desorganizados.

Sintomas e identificação

A cardiomiopatia hipertrófica costuma passar sem sintomas por anos. Quando aparecem, incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios. Jovens com síncope durante atividades físicas devem receber avaliação familiar.

A doença pode permanecer silenciosa até causar morte súbita. A detecção precoce em familiares de casos é recomendada, dada a herança genética possível.

Outros efeitos cardiovasculares dos esteroides

Além da hipertrofia cardíaca, os esteroides podem aumentar a pressão arterial, alterar o perfil de colesterol, elevar a coagulação e prejudicar a microcirculação do coração. Em alguns casos, levam à trombose e infarto súbito.

O conjunto de riscos explica por que especialistas alertam para as complicações cardíacas associadas ao uso de anabolizantes, mesmo quando o objetivo é apenas o ganho de massa muscular.

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