- Região entre Pará e Amapá abriga árvores gigantes que chegam a cerca de 88,5 metros de altura, uma das áreas mais preservadas da Amazônia, mas sofre avanço do garimpo ilegal impulsionado pela alta histórica do ouro.
- Fiscalização do Ibama no Vale do Rio Jari flagrou acampamentos, mercúrio ilegal e escavadeiras; uma aeronave ligada ao garimpo decolou de pista clandestina e quase atingiu um helicóptero da operação.
- Garimpeiros fugiram para a mata, deixando uma vila improvisada; o acampamento foi destruído para impedir a retomada das atividades.
- A proximidade de uma frente ilegal com uma das árvores gigantes é de cerca de 1,5 quilômetro; autoridades dizem que facções criminosas passaram a financiar a atividade.
- Especialistas destacam o papel das árvores gigantes no clima regional e apontam que estimativas indicam cerca de 55 milhões de árvores na Amazônia, cada uma podendo liberar até mil litros de vapor de água por dia.
O Ibama realizou uma operação no Vale do Rio Jari, entre Pará e Amapá, para cortar o garimpo ilegal que avança sobre uma das áreas mais preservadas da Amazônia. Fiscais encontraram acampamentos, mercúrio proibido e escavadeiras em área protegida, considerada de alta restrição.
Durante a ação, uma aeronave ligada aos garimpos decolou de uma pista clandestina e quase colidiu com helicóptero do Ibama, segundo relatos de agentes. A aeronave abastecia uma frente de mineração instalada dentro da estação ecológica.
Os garimpeiros fugiram para a mata, deixando para trás uma vila improvisada com alimentos, roupas e equipamentos. O acampamento foi desmontado pelos fiscais para evitar retomada das atividades.
Operação Ibama e avanço do garimpo
A poucos quilômetros do local, destaca-se a região conhecida pelas árvores gigantes, os angelins-vermelhos, com destaque para o exemplar mapeado com 88,5 metros de altura. A proximidade com a área ilegal preocupa especialistas.
Imagens de satélite indicam que uma das frentes está a cerca de 1,5 quilômetro de uma dessas árvores monumentais, sinalizando risco de expansão caso não haja intervenções.
Cesar Diniz, especialista em mineração por satélite, afirmou que o garimpo tende a avançar na direção mais próxima de ouro, caso haja sinais de presença nesse sentido. A região possui solo argiloso e nutrientes que favorecem o desenvolvimento da floresta.
Além da importância ecológica, as árvores gigantes atuam no equilíbrio climático, com estimativas de que existem cerca de 55 milhões de árvores desse porte na Amazônia, cada uma liberando vapor de água na atmosfera.
A destruição causada pelo garimpo já se observa em áreas fiscalizadas, com derrubada de uma castanheira de aproximadamente 50 metros. O cenário é agravado pela entrada de facções criminosas no financiamento da atividade.
Desdobramentos e contexto regulatório
Autoridades apontam que o crime organizado passou a investir no garimpo pela alta lucratividade do ouro. Pesquisas indicam que o combate ao comércio ilegal reduziu a participação do minério no território nacional, mas o desmatamento continua migrando.
Oito de cada dez áreas preservadas podem sofrer pressão semelhante se não houver fiscalização reforçada, segundo especialistas. A discussão legislativa sobre restrições para destruição de equipamentos também é citada como fator de debate no Congresso.
Enquanto isso, a floresta das árvores gigantes segue sob risco, com o tempo correndo contra a preservação de espécies que levam centenas de anos para atingir seu tamanho exemplar.
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