- Audiência no Senado destacou a importância do diagnóstico precoce do glaucoma e da expansão dos serviços básicos de saúde.
- Debatedores enfatizaram que exames de vista comuns não substituem avaliação adequada do nervo óptico e podem atrasar o diagnóstico.
- Especialistas apontaram que 50% a 90% dos portadores de glaucoma não sabem que têm a doença, com maior incidência entre mulheres, pretos e povos indígenas, e risco de aumento com envelhecimento.
- Foi cobrada maior controle sobre o uso de corticoides, necessidade de prescrição médica, rastreabilidade, protocolo de prescrição e campanhas de esclarecimento.
- O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e o Ministério da Saúde defenderam ampliar o diagnóstico pelo SUS e reduzir desigualdades regionais no acesso a exames e consultas.
O glaucoma, conjunto de doenças do nervo óptico e principal causa de cegueira irreversível, precisa de diagnóstico precoce e expansão dos serviços básicos de saúde. A afirmação foi feita por debatedores em audiência no Senado, realizada nesta quarta-feira, 27, em comemoração ao mês de prevenção.
Participaram da sessão as comissões de Transparência, Fiscalização e Controle e de Assuntos Sociais, com requerimento do presidente da CTFC, senador Dr. Hiran (PP-RR), e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A ação reforçou a necessidade de ampliar o acesso a exames oftalmológicos qualificados.
Para Hiran, exames de vista sem preparo técnico correto podem falhar na detecção do glaucoma. Ele destacou que nem todos os profissionais têm condições de avaliar alterações no nervo ótico, o que pode levar a diagnósticos incompletos ou atrasados.
Jair Giampani Júnior, vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Glaucoma, lembrou que a doença costuma surgir sem sintomas, tornando a prevenção crucial. O grupo ressaltou que o glaucoma apresenta maior incidência entre mulheres, pessoas negras e indígenas, além de crescer com o envelhecimento da população.
Segundo Giampani Júnior, entre metade e 90% dos portadores não sabem que têm a doença, o que aumenta o risco de progressão e diagnóstico tardio. A informação evidencia a urgência de estratégias eficazes de detecção precoce.
Jayter Silva de Paula, da Sociedade Brasileira de Glaucoma, apontou lacunas de dados sobre a prevalência no Brasil e pediu ações legislativas voltadas ao controle da venda de corticoides, especialmente colírios, para evitar uso inadequado ligado a tipos de glaucoma.
A metralha de propostas incluiu exigência de prescrição médica, rastreabilidade, protocolo de uso e monitoramento da pressão intraocular, além de campanhas de esclarecimento. A ideia é reduzir o uso indiscriminado de corticoides e reforçar a vigilância clínica.
Cláudia Galvão Pedreira, do Conselho Brasileiro de Ophalmologia, ressaltou que o Brasil tem número relevante de oftalmologistas e apoio do SUS, porém as desigualdades regionais dificultam o acesso. Ela anunciou disposição do CBO em colaborar com soluções.
Ela citou exemplos de dificuldades no Amapá e no Amazonas, onde pacientes ribeirinhos enfrentam barreiras para chegar a especialistas. A representante enfatizou a necessidade de transformar capacidade técnica em acesso efetivo à visão.
Carmen Cristina Moura Dos Santos, diretora substituta do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, afirmou que o SUS está mais preparado para diagnóstico e tratamento do glaucoma, apesar dos desafios. Ela elogiou campanhas de conscientização.
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