- O calaminário (calaminarian grassland) é um ecossistema raro de plantas que toleram solos contaminados por metais pesados, resultado de mais de mil anos de mineração de chumbo no norte da Inglaterra.
- Plantas especializadas, chamadas metallophytes, atuam como hiperacumuladoras, absorvendo metais e ajudando na phytoremediação, ao mesmo tempo em que se tornam menos atrativas para pragas.
- O habitat está sob ameaça: plantas competem com arbustos invasivos e o húmus cobre áreas anteriormente nuas, levando à perda gradual das áreas de calaminário.
- Resíduos de mineração e lavagem de metais ainda poluem rios na Inglaterra, o que complica a proteção do ambiente, exigindo equilíbrio entre melhoria da qualidade da água e preservação do ecossistema raro.
- Iniciativas na região norte buscam combinar recuperação de rios com conservação das áreas remanescentes, em frente a uma perda significativa dessas pradarias desde os anos setenta.
Calaminar grassland, um habitat raro, floresce em solos contaminados por metais pesados. Na região de Northumberland, às margens do rio Allen, surgem violetas e mostardas de montanha entre malhas de vegetação resistente.
Ao longo de mais de mil anos de mineração de chumbo, resíduos de wash e escomarias moldaram esse cenário. Plantas metallófitas desenvolveram resistência, atuando como filtro natural para metais na água, ainda que não os eliminem completamente.
Os grasslands recebem o nome da Viola calaminaria, violeta amarela rara associada a calcário e zinco. Na Europa, cerca de 30% ficam no Reino Unido, em áreas limitadas que somam cerca de 450 hectares no total.
A digestão ecológica dessa paisagem mostra que as plantas absorvem metais até níveis quatro vezes superiores aos toleráveis para outras espécies e, ao morrerem, prendem metais no solo superficial. Esse processo é conhecido como phytic remediation.
Entretanto, a invasão de garrtas, urze e caruma cobre o solo antigo, enterrando metais sob húmus. A combinação de poluição histórica e competição vegetal levanta a dúvida: preservar ou deixar o habitat seguir a evolução natural?
Historicamente, a mineração de chumbo intensificou-se no século XVIII, com operações que deixaram, ao longo de décadas, minas abandonadas, escomebrarias e cursos d’água contaminados. O uso de hushing, técnica de passar água para expor veios, deixou resíduos arrastados aos rios South Tyne e Allen.
Ainda hoje, a Agência Ambiental avalia que minas abandonadas continuam poluindo muitas milhas de rios na Inglaterra, por meio de emissões pontuais dos túneis de drenagem e de derivas de chuva que levam metais dos montes de resíduos às águas.
Especialistas defendem um equilíbrio entre melhorar a qualidade da água e manter a integridade de um hábitat cada vez mais raro. Em várias frentes no norte da Inglaterra, há projetos que exploram as propriedades das metallophytes para limpar rios e manter a vegetação.
No Nenthead, em Cumbria, obras associadas a um monumento nacional promovem a restauração de solo superficial para favorecer espécies calaminerianas, um processo de raspagem que expõe solos mais ricos em metais.
As áreas de escomem ricas em minerais deram suporte às primeiras sementes de plantas calaminerianas, que hoje formam alguns dos últimos redutos dessas pradarias tóxicas. A preocupação permanece: como conciliar conservação e recuperação ambiental sem comprometer a história industrial da região?
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