- Greg Kroah-Hartman, mantenedor do kernel estável do Linux, disse que Rust pode reduzir vulnerabilidades comuns em C e ajudar a enfrentar o aumento de falhas de segurança identificadas por IA.
- Ele destacou que o kernel enfrenta um fluxo de CVEs diários e citou falhas recentes para justificar a busca por abordagens mais seguras, incluindo Rust.
- O mantémedor explicou que Rust auxilia na prevenção de erros de locking e de gerenciamento de memória, com abstrações de trava e checagem de código durante a compilação.
- Embora elogie os benefícios, Kroah-Hartman afirmou que Rust não é solução milagrosa nem pretende reescrever o kernel inteiro; a cooperação entre C e Rust é gradual e evolutiva.
- Atualmente, cerca de 36 milhões de linhas em C coexistem com aproximadamente 113 mil linhas em Rust, com expectativas de expansão de Rust para drivers e subsistemas ao longo do tempo.
Greg Kroah-Hartman, mantenedor estável do kernel Linux, abriu a Rust Week 2026, em Utrecht, Holanda, ressaltando que Rust não é milagre. Ele afirmou que o objetivo é reduzir falhas comuns do C, especialmente em cenários de dados não confiáveis e segurança.
O apresentador explicou que o aumento de vulnerabilidades identificadas por IA tornou o uso de Rust mais relevante. Ele citou falhas históricas no kernel originárias de erros de manipulação de memória e de sincronização para justificar a busca por soluções que previnam esses problemas desde a compilação.
Kroah-Hartman detalhou como Rust pode reduzir bugs críticos por meio de abstrações de trava e verificação automática de memória. Segundo ele, o código poderia ficar menos sujeito a falhas de locking e vazamentos, com o compilador garantindo a segurança de acesso a estruturas internas.
O engenheiro discutiu ainda a prática de manter código existente em C, enquanto novas partes ganham suporte em Rust. Ele citou a coexistência temporária de implementações em C e Rust em projetos como Binder, com a expectativa de que, ao longo do tempo, drivers mais novos para hardware diferentes passem a ser escritos majoritariamente em Rust.
Outra linha adotada envolve a gestão de dados não confiáveis. A ideia é marcar dados que entram no sistema como não confiáveis e exigir validação explícita no ponto de transformação para dados confiáveis, concentrando a revisão de código nesses pontos críticos.
Kroah-Hartman mencionou que hoje o kernel tem cerca de 36 milhões de linhas em C e aproximadamente 113 mil linhas em Rust, com foco na criação de bindings para facilitar drivers. Ele destacou que a presença de Rust já estimulou melhorias no código C e em interfaces, tornando a revisão mais simples.
Por fim, o maintainer mostrou uma visão evolutiva para o Linux: novas mudanças devem promover o uso de Rust aos poucos, com o objetivo de acompanhar hardware recente e futuras tecnologias. A assembleia de mantenedores já aprovou a continuidade do uso de Rust como parte integral do desenvolvimento do kernel.
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