- Florestas primárias, ou seja, nunca desmatadas, concentram mais espécies e serviços ecossistêmicos na Amazônia do que áreas que se regeneraram após disturbances.
- Estudo conjunto de pesquisadores do Brasil e do Reino Unido comparou impactos humanos sobre a diversidade de plantas ao longo do tempo e foi publicado na revista Global Change Biology.
- Mesmo degradadas por queimadas ou corte seletivo, as florestas primárias mantêm maior diversidade do que florestas secundárias, que demoram séculos para recuperar grandes árvores.
- A pesquisa destaca a necessidade de reduzir o desmatamento e investir em restauração, mas reforça que as florestas primárias são imprescindíveis para a biodiversidade.
- Durante a COP trenta, criou-se o Fundo Global para Conservação de Florestas Tropicais (TFFF), considerado importante para manter florestas conservadas e os serviços ecossistêmicos que fornecem.
Na Amazônia, florestas primárias — aquelas que nunca foram desmatadas — continuam sendo as principais guardiãs da biodiversidade, mesmo quando já sofreram queimadas ou cortes seletivos. Estudo conjunto de pesquisadores brasileiros e britânicos avaliou áreas com diferentes históricos de uso ao longo do tempo e mostrou que as florestas intocadas concentram mais espécies e serviços ecossistêmicos.
Os cientistas comparam a diversidade de plantas em florestas primárias, degradadas e regeneradas para entender os impactos das atividades humanas. O resultado aponta que, mesmo degradadas, as áreas não desmatadas mantêm maior riqueza de espécies do que as florestas que se regeneraram após a derrubada. A pesquisa foi publicada na revista Global Change Biology.
Em entrevista publicada pela Universidade de Lancaster, o coordenador brasileiro explicou que a diversidade nas florestas primárias continua superior, mesmo em estados de degradação, enquanto as regeneradas demoram séculos para devolver espécies de grande porte e os serviços ecossistêmicos que as árvores originais fornecem. A coautora Erika Berenguer também destacou que todas as medidas de influência humana — perda de espécies, funções ecológicas ou linhagens evolutivas — mostram impactos profundos.
A pesquisa contou com apoio da Fapesp, por meio do projeto ECOFOR, vinculado ao BIOTA, voltado à biodiversidade e ao funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas na Amazônia e na Mata Atlântica. Além disso, os cientistas ressaltaram a importância de manter restauração de áreas desmatadas e proteger as florestas secundárias, que ainda assim superam áreas sem remanescentes.
Durante a COP30, realizada em Belém em 2025, foi criado o Fundo Global para Conservação das Florestas Tropicais (TFFF). Os autores enfatizam que mecanismos como esse são essenciais para conservar as florestas, independentemente de ganhos econômicos de curto prazo, inclusive quando se trata de manejo sustentável.
Os pesquisadores lembram que a Amazônia abriga até 16 mil espécies de árvores e que um hectare pode abrigar mais de 300 espécies. Em contraponto, a Europa abriga cerca de 450 espécies nativas. Os especialistas defendem que políticas públicas devem alinhar ações de conservação à redução de pressões antrópicas, com foco na proteção de áreas primárias.
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