- Pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram uma nova variante genética no gene ADPRS associada à CONDSIAS, doença neurodegenerativa rara.
- O achado partiu do caso de uma menina brasileira de 11 anos com epilepsia e dificuldade de coordenação motora, sendo o primeiro registro da CONDSIAS na América do Sul.
- A análise em células mostrou que a combinação de duas variantes leva à queda da proteína ARH3, responsável por remover a ADP-ribosilação, o que contribui para a doença.
- Estratégias terapêuticas foram investigadas; a minociclina apresentou efeito pequeno frente a inibidores de PARP específicos, sugerindo cautela e necessidade de opções mais precisas.
- A pesquisa, publicada na Neurology Genetics com apoio da Fapesp, pode ajudar no diagnóstico de outros casos e na interpretação de variantes no gene ADPRS.
O estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo identificou uma nova variante genética associada à CONDSIAS, doença neurológica rara que surge na infância e se manifesta com epilepsia e ataxia. A descoberta envolveu uma menina brasileira de 11 anos com epilepsia agravada por infecções. A pesquisa foi publicada na Neurology Genetics.
A doença envolve alterações no gene ADPRS. A CONDSIAS é caracterizada por epilepsia, atraso no desenvolvimento e degeneração progressiva do sistema nervoso, com piora em situações de estresse fisiológico, como infecções virais. Este é o primeiro caso documentado na América do Sul, segundo os autores.
A equipe coletou pele da paciente e criou uma linha celular para estudar a proteína ARH3, produzida pelo ADPRS. Observou-se redução acentuada dessa proteína, sugerindo que a combinação de duas variantes impede o funcionamento adequado da ARH3. O resultado mostra a associação entre a nova alteração e a doença.
Detalhes da descoberta
Os pesquisadores identificaram que a variante inédita, associada a uma já conhecida, pode comprometer a função da ARH3. Em células da paciente, houve falha no processo de remoção da ADP-ribosilação, sinal químico usado para coordenar a resposta a danos no DNA.
A equipe avaliou se a variante impacta de fato a doença, confirmando a relação entre a alteração genética e o quadro clínico da paciente. O estudo reforça a importância do diagnóstico molecular para doenças genéticas raras.
Estratégias terapêuticas
Como ainda não há tratamento específico, os autores exploraram abordagens terapêuticas baseadas no mecanismo da doença. A hipótese é reduzir a formação de ADP-ribosilação desde o início, para evitar o acúmulo tóxico.
Testaram a minociclina, antibiótico da classe tetraciclinas, por sua possível ação na inibição da PARP, enzima que inicia a ADP-ribosilação. Os resultados mostraram efeito modesto em comparação com inibidores de PARP dedicados, sugerindo cautela no uso dessa substância.
Impacto clínico
Após a publicação, médicos europeus buscaram apoio para avaliar variantes semelhantes em pacientes com ADPRS. O estudo facilita a interpretação de alterações genéticas raras e auxilia no manejo clínico de casos complexos, destacando o papel da pesquisa na prática diagnóstica.
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