- Tardígrados, também chamados de ursos d’água, resistem a altas temperaturas chegando a até 85 °C quando desidratados; em estado ativo, morrem acima de 45 °C devido à perda de proteínas e ruptura de membranas.
- O segredo está na desidratação: ao secar, eles entram em dormência, encolhem e expulsam quase toda a água, reduzindo a condução de calor pelo corpo.
- Durante a desidratação, ocorre a vitrificação: proteínas especiais impõem que o conteúdo interno não cristalize, transformando-se em uma massa amorfa semelhante a vidro.
- A menor condutividade térmica atrasa o aquecimento interno, aumentando as chances de sobrevivência em ambientes com picos de temperatura, como musgos e solos expostos ao sol.
- Os resultados foram publicados no Journal of the Royal Society Interface e podem inspirar aplicações em conservação de proteínas de medicamentos e em proteção de tecidos para transplantes.
Os tardígrados, também chamados de ursos d’água, ganhou destaque por resistirem a condições extremas. Pesquisadores analisaram como esses micro-organismos lidam com calor intenso, chegando a temperaturas superiores a 85°C. A surpresa ficou por conta do que ocorre com o organismo quando ele se desidrata.
Em estado ativo, com água, eles morrem acima de 45°C, pois o calor quebra proteínas e membranas. Mas ao secar, o tardígrado entra em dormência, encolhendo-se e expulsando a maior parte da água. Assim, a condutividade térmica dos tecidos cai, formando um escudo temporário contra o aquecimento externo.
A desidratação gera o que os pesquisadores chamam de vitrificação: o interior torna-se amorfo e não cristaliza sob calor. Proteínas especiais atuam para prevenir a formação de cristais que danificariam as estruturas celulares. O estudo detalha a física por trás desse fenômeno na revista Journal of the Royal Society Interface.
Vitrificação e funcionamento
Durante a secagem, o organismo produz proteínas vitrificantes que dificultam a propagação do calor no citoplasma. Sem água condutora, o aquecimento internal fica mais lento e a célula ganha tempo para reagir à ameaça térmica.
Essa adaptação natural ocorre com frequência em musgos e solos expostos ao sol. A baixa condutividade térmica não precisa durar para sempre; ela retarda o aquecimento, aumentando as chances de sobrevivência celular até o ambiente esfriar.
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