- Em Citalahab, Bogor, o coletivo feminino Ambu Halimun transforma plantas locais em estampas ecoprint em tecidos, preservando a floresta ao redor do Parque Nacional Gunung Halimun-Salak.
- O grupo foi formado em 2020, com foco em conservação, empoderamento econômico e desenvolvimento profissional de mulheres.
- A iniciativa recebeu apoio da primatóloga Rahayu Oktaviani, cofundadora da Kiara Foundation, e rendeu a ela o Prêmio Whitley no ano passado.
- Estima-se que haja entre quatro mil e quatro mil e quinhentos símios-javensis (Hylobates moloch) na natureza, com metade da população na região do parque citado.
- Pesquisadores alertam que, sem reduzir desmatamento e caça, a espécie pode enfrentar riscos de extinção, reforçando a importância de abordagens que conectem conservação e comunidades locais.
In Java, uma coletividade feminina está ajudando a salvar os gibões por meio de têxteis inspirados na floresta. Em Citalahab, vila às margens do Parque Nacional Gunung Halimun-Salak, as peças são produzidas pelo coletivo Ambu Halimun, cujo nome significa “mães de Halimun”.
O projeto envolve a captura de plantas locais por meio de boiling e prensagem para criar motivos em tecidos. Mulheres da região, como Mirna Maharani, passaram a observar a vegetação ao redor da vila com mais atenção, atribuindo novo valor a espécies antes negligenciadas como fontes de cor e identidade.
Formado em 2020 durante a pandemia, o Ambu Halimun busca alinhar conservação com capacitação econômica e desenvolvimento profissional das mulheres. A iniciativa foi idealizada pela primatologista Rahayu Oktaviani, cofundadora da Kiara Foundation, que também integrou o projeto.
Conservação e comunidade
Rahayu afirma que o objetivo é criar senso de pertencimento à floresta, não tratar a conservação como algo separado. Em 2023, a organização recebeu o Whitley Award por ações de base em prol do gibão-javanês (*Hylobates moloch*), incluindo o trabalho do coletivo de impressão ecológica.
Citalahab abriga uma das últimas frangas habitações do gibão-javanês. A IUCN estima entre 4.000 e 4.500 indivíduos na natureza, com parte significativa da população na área do parque, onde a Kiara atua desde 2020.
Pesquisadores destacam que, sem redução de desmatamento e do comércio de animais, a espécie pode enfrentar extinção na região de Halimun-Salak dentro de décadas. A equipe enfatiza abordagem cultural para engajar a comunidade.
Impacto local e perspectivas
Análise de Eva Rachmawati, docente da Bogor Agricultural Institute, aponta que estratégias baseadas na cultura local fortalecem a participação comunitária. A prática busca transformar a relação das pessoas com a floresta, ampliando o papel das mulheres.
Mirna destaca que o projeto já funciona como ponte entre conservação e economia, com a coleta de plantas mantendo ciclos de plantio de sementes na região. O grupo confirma que novas peças mantêm a prática de ecoprint com materiais florestais locais.
A iniciativa também inspira ações comparáveis em outras áreas da Indonésia, como o uso de corantes naturais em tecelagem tradicional em Sumatra e projetos de envolvimento feminino na proteção de ambientes naturais na Borneo.
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