- Estudo PROTEUS em fase 3 apresentado na Asco, em Chicago, mostrou que usar apalutamida associada à terapia hormonal (ADT) six meses antes e depois da cirurgia reduziu em 20% o risco de metástases ou morte em um ano.
- Ensaio com 2.109 participantes de 18 países, incluindo o Brasil, avaliou câncer de próstata localizado de alto risco tratando com cirurgia e radioterapia como padrão inicial.
- Além da redução de 20% no risco, houve queda de 29% em eventos oncológicos e 32% em metástases distantes; probabilidade de sobrevida livre de metástases em cinco anos foi de 78,2%.
- Recuperação dos níveis de testosterona ocorreu em média 8,1 meses; o principal efeito adverso foi erupções cutâneas, em 39,6% do grupo com apalutamida contra 31% no grupo apenas com ADT.
- Especialistas destacam que o protocolo pré-operatório pode atrasar a necessidade de terapias adicionais em mais de três anos, sugerindo potencial impacto na prática clínica, ainda sem aprovação regulatória.
Uma nova estratégia de tratamento para o câncer de próstata de alto risco foi apresentada em sessão especial da reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, neste domingo, 31. O estudo PROTEUS apontou redução de 20% no risco de metástases ou morte em um ano quando associou apalutamida a terapia hormonal (ADT) pré e pós-operatória.
O ensaio de fase 3 avaliou a mudança no padrão de tratamento, que costuma priorizar cirurgia e radioterapia. Foram recrutados 2.109 participantes de 18 países, incluindo o Brasil. Os resultados foram publicados no The New England Journal of Medicine.
Na organização dos desfechos, houve queda de 29% no risco de evento oncológico e 32% na incidência de metástases em órgãos distantes. A probabilidade de sobrevida livre de metástases em cinco anos ficou em 78,2%.
Resultados clínicos
A pesquisa ressalta que o estudo foi internacional, com diversidade de pacientes, reforçando que o controle do câncer de próstata localizado de alto risco é decisivo para os desfechos terapêuticos. A combinação de apalutamida com ADT mostrou ganhos consideráveis em eficácia.
Os autores destacam ganhos de eficácia em cirurgia, incluindo maior taxa de resposta e atraso na necessidade de terapias adicionais em mais de três anos. O desenho experimental sugere potencial de mudança de prática para pacientes com alto risco de recorrência.
Um ponto relevante foi a recuperação de níveis de testosterona, observada em média 8,1 meses. O principal efeito adverso foi maior incidência de erupções cutâneas: 39,6% no grupo com apalutamida versus 31% no grupo apenas com ADT.
Considerações dos especialistas
Especialistas brasileiros ressaltaram que o estudo abre caminhos para manejo pré-operatório mais eficiente. O conjunto de resultados indica que a estratégia pode beneficiar pacientes com maior probabilidade de não cura apenas pela cirurgia.
A avaliação clínica indica que há espaço para adoção dessa abordagem em cenários específicos, com melhoria potencial em desfechos de longo prazo. Autoridades em oncologia destacam a robustez do estudo, realizado em várias instituições internacionais.
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