- Rede global de tráfico de fauna tira micos-leões-dourados do Brasil por meio de carros, aviões e veleiros, direcionando-os para mercados estrangeiros, principalmente na Ásia.
- Casos recentes incluem apreensão de 20 tamarins e 12 araras-lear em Togo, a bordo de um veleiro, e um motorista preso na BR-364, Rondônia, com oito micos e relatos de transporte anterior de mais seis.
- O líder do esquema, Alexander Levin, foi detido em Togo; 17 animais foram recuperados, 3 morreram, e Levin permanece foragido; a operação envolveu várias nacionalidades e uso de documentos falsos.
- A espécie está listada no Anexo I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), proibindo exportação para fins comerciais, salvo exceções restritas; ainda há lacunas regulatórias exploradas por traficantes.
- Investigações indicam rotas via Suriname e Guyana; há ligação com redes internacionais e facilitadores que usam documentos falsos, com possíveis impactos próximos ao Brasil e ao Sudeste Asiático.
O tráfico internacional de micos-leão-dourados atingiu uma nova dimensão, com redes criminosas retirando os animais da Mata Atlântica brasileira e levando-os para mercados estrangeiros. O foco é o tamarin-leão- dourado (*Leontopithecus rosalia*), alvo de traficantes que atuam por vias terrestres, náuticas e aéreas.
Entre 2023 e 2024, casos conectados a esse comércio foram observados em Suriname, Togo e no Brasil. Em Suriname, foram apreendidos sete micos-leão-dourados e 29 araras-lear; no Togo, 20 tamarins e 12 araras foram encontrados a bordo de um veleiro, após meses de deslocamento pela costa africana.
No Brasil, a Polícia Federal identificou o envolvimento de cúmplices em rotas que passam pela BR-364, no Amazonas, com animais apreendidos em Rondônia e Minas Gerais, em operações que apontaram um esquema transnacional de tráfico. Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, foi citado como ponto de saída provável.
Os tamarins chegam a custar até 100 mil dólares no mercado clandestino, com parte da remessa chegando a mercados asiáticos. Em muitos casos, os animais morrem durante o trajeto ou chegam debilitados, desnutridos e com problemas de pele, após semanas ou meses em condições precárias.
Especialistas ressaltam que o tráfico envolve o uso de documentos falsos, redes de intermediários e rotas que cruzam a Amazônia. O objetivo é abastecer criadouros comerciais e colecionadores, inclusive em países com forte demanda por fauna exótica.
Em resposta, autoridades brasileiras têm mantido operações de repressão e recuperação de animais; parte dos tamarins resgatados passa por recuperação e, quando possível, retorna à floresta no estado do Rio de Janeiro. O caso também levou a ações legais e investigações sobre facilitadores e possível participação de estrangeiros.
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