- A obesidade infantil e de adolescentes é problema de saúde pública, com projeção de cerca de 464 milhões de jovens acima do peso até 2030; no Brasil, cerca de 17 milhões de jovens entre 5 e 19 anos vivem com excesso de peso.
- Entre crianças em idade escolar, cerca de 6,6 milhões entre 5 e 9 anos têm excesso de peso, representando quase 40% da população infantil e adolescente em algumas faixas etárias.
- Canetas emagrecedoras (medicamentos injetáveis com semaglutida e liraglutida) foram autorizadas pela Anvisa para uso em adolescentes a partir de doze anos, com IMC igual ou superior a trinta kg/m² e peso mínimo de sessenta kg, desde que haja acompanhamento médico.
- O tratamento deve ser feito por equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico) e não deve ocorrer sem supervisão, devido a riscos e efeitos adversos.
- Riscos incluem náuseas, vômitos, desidratação, perda de massa muscular, deficiências nutricionais e impactos no crescimento e na saúde mental; a avaliação deve considerar tireoide, cortisol e perfil glicêmico, mantendo foco em cuidado integral.
A obesidade infantil e de adolescentes é considerada um problema de saúde pública. Dados globais apontam 464 milhões de jovens acima do peso até 2030, segundo a Comissão Lancet. O Atlas Mundial da Obesidade 2026 também destaca o aumento do sobrepeso entre jovens.
No Brasil, cerca de 17 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos convivem com excesso de peso, situando o país entre os 10 com mais casos no mundo. Entre crianças de 5 a 9 anos, aproximadamente 6,6 milhões têm excesso de peso, representando quase 40% da faixa etária em algumas regiões.
O aumento é associado a alto consumo de ultraprocessados e ao sedentarismo. Se não tratado, a obesidade pode persistir na vida adulta e eleva o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, alterações do colesterol e até alguns tipos de câncer.
Indicações atuais e condições para uso
Fontes oficiais informam que canetas emagrecedoras injetáveis podem ser indicadas para adolescentes a partir de 12 anos, com IMC igual ou superior a 30 kg/m² e peso mínimo de 60 kg. É necessário que não haja controle de peso apenas com dieta e atividade física, e que haja acompanhamento médico contínuo.
O tratamento deve ocorrer com equipe multidisciplinar, incluindo endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico. A supervisão é essencial devido aos potenciais efeitos adversos, como náuseas, vômitos, desidratação e perda de massa muscular.
Cuidados, monitoramento e envolvimento familiar
A avaliação deve abranger função tireoidiana, cortisol e perfil glicêmico, já que a obesidade aumenta o risco de diabetes. A abordagem deve ser integrada, com suporte nutricional e cuidado emocional, evitando estigmas e promovendo saúde mental.
Famílias têm papel ativo na adoção de hábitos saudáveis e na orientação alimentar. O objetivo é oferecer acolhimento e incentivar práticas seguras, priorizando o bem-estar integral da criança ou do adolescente.
Matheus Aves Alvares, coordenador de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Infantil Sabará, participa como referência na discussão sobre o tema.
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