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Cérebro está desaprendendo? Neurocientista alerta sobre saúde mental

Estimulação digital excessiva pode enfraquecer atenção prolongada e memória; leitura profunda e menos telas são sugeridas para preservar cognição

Hiperestimulação digital e uso constante de inteligência artificial podem impactar memória, concentração e capacidade de reflexão do cérebro
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  • O cérebro é um sistema de adaptação; hiperestimulação e consumo rápido de conteúdo podem enfraquecer habilidades cognitivas importantes.
  • Vídeos curtos, rolagem contínua e uso constante de inteligência artificial ajudam a terceirizar processos como escrita, pesquisa e organização de ideias.
  • A leitura profunda está diminuindo, o que reduz exercícios de concentração, construção de imagens mentais e pensamento crítico.
  • A capacidade de manter atenção em tarefas longas e a memória podem ser afetadas pela exposição contínua a estímulos rápidos.
  • Para proteger o cérebro, são sugeridas leituras regulares, menos tela, períodos sem dispositivos, sono adequado, atividade física, aprendizado contínuo e conversas presenciais.

O cérebro humano pode estar sendo treinado para pensar menos devido ao consumo acelerado de informações. O alerta vem de especialistas que analisam os efeitos da hiperestimulação digital, vídeos curtos e respostas geradas por inteligência artificial. O foco é entender como isso impacta memória, atenção e raciocínio.

Segundo o neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes, o cérebro funciona como um sistema adaptativo. Quanto mais determinados circuitos são exercitados, mais fortes ficam. O excesso de estímulos pode, porém, enfraquecer habilidades cognitivas importantes.

A preocupação se intensifica com o fluxo constante de conteúdos curtos e a terceirização de funções mentais para IA. A leitura profunda, que exige concentração e interpretação, tende a diminuir diante do consumo rápido de informações.

Mudanças no consumo de informação

O especialista afirma que o cérebro se adapta aos estímulos diários. Conteúdos fragmentados reduzem a tolerância a atividades que demandam atenção prolongada e reflexão.

A tecnologia, quando usada para potencializar aprendizado, pode ser benéfica. O risco aparece quando processos mentais são substituídos por respostas rápidas e prontas, sem estímulo crítico.

Leitura profunda em risco

A leitura prolongada envolve linguagem, memória e imaginação. Com menos prática, redes neurais associadas a essas funções podem ficar menos estimuladas, levando a mudanças na forma de processar informações.

A alternância constante entre apps fragmenta a atenção. O sistema de recompensa do cérebro responde ao immediato, o que pode reduzir a capacidade de lidar com tarefas lentas e desafiadoras.

Como proteger o cérebro

Apesar do cenário, a neurociência indica boa capacidade de recuperação com estímulos adequados. Recomenda-se leitura regular, menos hiperinformação, pausas sem telas, sono de qualidade, atividade física e aprendizado contínuo.

O Dr. Gomes ressalta a importância de manter a profundidade do pensamento. A tecnologia não deve substituir a reflexão humana, apenas apoiar atividades cognitivas complexas.

Sobre o especialista

Doutor Fernando Gomes atua como Professor Livre Docente de Neurocirurgia e coordena unidades em hospitais de grande porte. Fundamentos de sua atuação estão ligados ao estudo de envelhecimento e hidrocefalia de pressão normal.

Fonte: Mayra Barreto Cinel – MBC Comunicação

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