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Mulheres usam anabolizante disfarçado de tratamento; médicos lucram com fraudes

Implantes de gestrinona, não regulamentados pela Anvisa, são vendidos como chip da beleza e podem provocar efeitos colaterais irreversíveis

Conhecido como 'chip da beleza', implante de gestrinona é anabolizante e pode provocar efeitos colaterais irreversíveis.
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  • A gestrinona, vendida como “chip da beleza” e tratamento para endometriose, é considerada um anabolizante com ação androgênica e pode trazer efeitos colaterais irreversíveis.
  • Implantes de gestrinona (pellets) são manipulados em farmácias e não são regulamentados pela Anvisa; custo do implante é de cerca de R$ 5 mil, com margem de lucro elevada para médicos.
  • Efeitos adversos já relatados incluem queda de cabelo, aumento de pelos, acne, piora do perfil lipídico e engrossamento da voz; há relatos não comprovados de alterações nas mamas e possível relação com câncer.
  • A dose e a liberação do hormônio variam na manipulação, dificultando controle e estudos; há risco de complicações que nem sempre permitem remoção do implante.
  • Órgãos reguladores recomendam cautela: a Anvisa não aprova a propaganda da gestrinona, apenas o Implanon é aprovado, e a Febrasgo e o Conselho Federal de Medicina são contra o uso de implantes hormonais manipulados.

A gestrinona, vendida sob o rótulo de chip da beleza e como tratamento para endometriose, é apresentada no mercado de forma manipulada. A substância, desenvolvida em laboratório, atua como anabolizante com ação androgênica, além de ter efeito antiestrogênico e antiprogesterona.

Usuárias relatam efeitos adversos como queda de cabelo, aumento de pelos, oleosidade da pele, acne e alterações no perfil lipídico. Há relatos de possível relationamento com alterações mamárias e risco cardiovascular, ainda sem comprovação científica sólida.

Especialistas ressaltam que a gestrinona pode provocar efeitos irreversíveis se não houver interrupção precoce. Médicos indicam que promessas estéticas não valem os riscos para a saúde, especialmente sem evidência clínica robusta.

A presença de varejo e mercado de manipulação facilita o uso indiscriminado. Implantes conhecidos como pellets ou chips são caros para o consumidor e podem ter liberação irregular do hormônio, dificultando o controle terapêutico.

Implantes de gestrinona não são regulamentados pela Anvisa. A prática de prescrição indiscriminada por médicos com relações com farmácias de manipulação é objeto de críticas entre especialistas e autoridades sanitárias.

A forma de administração manipulada permite combinações com outras substâncias, aumentando a periculosidade. A dosagem variável entre pacientes torna difícil padronizar efeitos e dificultar estudos científicos sobre segurança.

A gestrinona não possui aprovação para uso estético ou para fins de emagrecimento. O único implante hormonal aprovado pela Anvisa continua sendo o Implanon, com uso anticoncepcional. A indústria farmacêutica não reconhece validação para os pellets.

Regulação e riscos

Executivos da área médica destacam que não houve estudos clínicos suficientes para implantes de gestrinona. Organizações como Febrasgo e CFM são contrários ao uso desses produtos, por falta de evidência de segurança, eficácia e qualidade.

Pacientes atendidas por especialistas relatam danos persistentes após o uso não regulamentado. Médicos destacam a necessidade de orientar a população sobre opções aprovadas e com controle de qualidade.

Para acompanhar o tema, o portal busca esclarecer como a fiscalização atua e quais são as responsabilidades de médicos e farmacêuticas na cadeia de manipulação. A Anvisa não confirmou resposta oficial sobre o monitoramento atual.

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