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Plano de perfuração na Amazônia exclui peixe-boi híbrido único gigante

Perfuração da Petrobras na foz do Amazonas avança, com IBAMA apontando falhas no plano de resgate de manatíes grandes, aumentando o risco à megafauna local

Petrobras says in its emergency plan that it’s "unfeasible" to rescue animals weighing more than 50 kilos (110 pounds). Image courtesy of FMA collection.
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  • A Petrobras iniciou a perfuração no poço Morpho, na foz do rio Amazonas, a cerca de 179 quilômetros da costa de Amapá, em outubro de 2025.
  • Entre os animais da região, destacam-se os peixes-boi-á West Indian (hybridos com o peixe-boi amazoniense), com população estimada em pouco mais de mil indivíduos no Brasil e reprodução lenta.
  • A avaliação técnica do IBAMA aponta que a área é única em recursos naturais e sensibilidade socioambiental, exigindo um plano de emergência de manejo de derramamento sem precedentes; o plano de proteção à vida selvagem foi considerado insuficiente em várias revisões.
  • Em janeiro de dois mil e vinte e seis houve vazamento de fluido tóxico durante a operação; a Petrobras suspendeu as atividades no Morpho por mais de dois meses, e houve uma simulação de resgate envolvendo aves, tartarugas e um filhote de peixe-boi.
  • Os especialistas do IBAMA destacaram falhas no plano de resgate, especialmente para animais de maior peso, e ressaltaram riscos de tráfego de embarcações e condições climáticas adversas na região.

Petrobras avança com perfuração no delta amazônico, braço que liga o Amazonas ao Atlântico, após aprovar licenciamento ambiental contestado. A operação, iniciada em outubro de 2025, ocorre na chamada Morpho well, a cerca de 179 km da costa de Amapá e a 500 km da foz do Amazonas. A empresa afirma mirar reservas estimadas em até 10 bilhões de barris.

O debate público envolve a proteção de fauna única da região, especialmente a presença de uma população híbrida de peixe-boi na foz do Amazonas. Entidades ambientais e pesquisadores alertam para a dificuldade de resgates em caso de acidente, diante das particularidades do ecossistema e da distância de áreas de assistência.

Licenciamento e controvérsia

A licença ambiental foi objeto de repeatedly revisões pela IBAMA, que avaliou o plano de proteção à fauna como insuficiente em várias ocasiões. Em meio a pressões políticas, o órgão acabou aprovando a versão final, sob observação de que o relatório técnico apresentava falhas.

A IBAMA destacou que a região exige resposta de emergência inédita, devido à sensibilidade socioambiental e à biodiversidade local. A Petrobras garante ter cumprido os requisitos e ter obtido a licença para as atividades na Morpho, segundo a empresa.

Proteção de fauna e planos de resposta

O plano de manejo de animais em caso de vazamento foi alvo de críticas técnicas. Especialistas indicam que o resgate de peixe-boi de peso acima de 50 kg é inviável segundo o documento, o que pode ampliar os riscos à fauna local. A estatal afirma que ações preventivas seriam priorizadas, com alternativas de contenção e afastamento.

Apesar de afirmações da Petrobras, a IBAMA aponta falhas na estratégia de resgate e na inclusão de megafauna. Em resposta, a assessoria da agência ressaltou que o plano foi avaliado e considerado adequado, destacando que ações para animais mais pesados envolveriam precauções específicas.

Operação e incidentes no mar

A atividade de perfuração está situada na margem equatorial, área marcada por condições climáticas desafiadoras e correntes marítimas intensas. Em 2011, outro poço na região ficou sem operação após quebra de ferramenta.

Em janeiro de 2026, pouco após a autorização de IBAMA, ocorreu um vazamento de fluido tóxico durante uma perfuração, levando à suspensão temporária dos trabalhos por mais de dois meses. A Petrobras prevê concluir a perfuração inicial no segundo trimestre do ano, com necessidade de poços adicionais para confirmar reservas.

Riscos ambientais e conservação

Especialistas destacam que, caso haja derramamento, a faixa de manguezais mais extensa do mundo, presente na região, fica vulnerável e de difícil acesso. Observadores lembram ainda o fenômeno da pororoca, que pode ampliar dificuldades de navegação e resgate.

Pesquisadores de genética apontam que a população de peixe-boi da área carrega genes de híbridos entre as espécies marinha e de água doce, resultado do contato entre o peixe-boi do Caribe e o peixe-boi amazônico. A descoberta reforça a necessidade de estudos aprofundados antes de qualquer alteração ambiental.

Petrobras criou dois centros de cuidado e recuperação de fauna marinha em Belém (PA) e Oiapoque (AP) e comprometeu-se a apoiar instituições locais envolvidas na proteção de peixe-boi. Em meio aos fatos, a empresa mantêm o monitoramento externo e o cumprimento de exigências regulatórias.

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