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São Francisco usa IA para evitar colisões de barcos com baleias

IA alerta balsas na Baía de São Francisco para reduzir velocidade diante de baleias, reduzindo colisões e mapeando rotas em tempo real

Corpo de uma baleia em praia da baía de São Francisco, nos EUA — Foto: Getty Images
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  • Em dois mil e vinte e cinco, vinte e um baleias-cinzentas foram encontradas mortas na Baía de São Francisco, o maior número em vinte e cinco anos, com pelo menos quarenta por cento mortes por colisões com embarcações.
  • Em vinte e seis, mais dez baleias morreram na região, sendo um deles em meados de maio.
  • Foi lançada uma rede de detecção que usa inteligência artificial para escanear a baía e alertar navegantes para reduzir a velocidade ou alterar rotas quando baleias são avistadas, a até sete quilômetros de distância, com câmeras térmicas 24 horas por dia, sete dias por semana.
  • A detecção passa por verificação de observadores treinados em mamíferos marinhos antes de enviar alertas oficiais a operadores de balsas, controladores de tráfego naval e ao site Whale Safe, na prática integrando avisos em tempo quase real.
  • O sistema levou cerca de quinze anos para ficar pronto e promete monitoramento contínuo, especialmente útil em condições de neblina ou à noite.

Em meio ao aumento de avistamentos de baleias na Baía de São Francisco, a região passou a usar inteligência artificial para evitar colisões com embarcações. O sistema recém-implantado realiza varreduras na baía e alerta operadores de balsas para reduzir velocidade ou alterar rotas quando baleias são detectadas. A iniciativa surge diante de 21 baleias-cinzentas encontradas mortas em 2025 na área, com pelo menos 40% das mortes por colisões com barcos, e mais 10 ocorrências nos primeiros meses de 2026.

A tecnologia combina IA com câmeras térmicas 24 horas por dia e alcança até 7 quilômetros de distância. Baleias detectadas são verificadas por observadores especializados antes de os alertas serem enviados aos navegantes, aos controladores de tráfego aquaviário e serem publicados no site Whale Safe. A rede envolve pesquisadores, a Guarda Costeira dos EUA e operadoras locais.

A implantação é destacada como pioneira ao integrar detecções terrestres com alertas oficiais voltados a embarcações, o que permite transmissão quase em tempo real de avistamentos. Em testes realizados em maio, ocorreram múltiplas detecções simultâneas, com a tecnologia prevista para melhorar com a expansão da rede.

Como funciona a detecção

O desenvolvimento do sistema levou cerca de 15 anos. A IA foi treinada com centenas de milhares de imagens térmicas para distinguir água expelida pelos baleias do restante da água, com diferença de cerca de 2ºC. Quando há uma possível detecção, um pesquisador valida os dados para reduzir falsos positivos antes de emitir o alerta.

Pesquisadores afirmam que a verificação humana complementa a ferramenta, evitando alarmes indevidos. A ideia é ampliar a implantação para obter uma visão mais abrangente do oceano, mantendo a navegação, mas protegendo as baleias.

Contexto climático e migratório

As baleias-cinzentas costumam migrar pela costa californiana, entre áreas de reprodução no México e regiões de alimentação no Ártico. Observa-se, no entanto, que mais indivíduos desviarem para a Baía de São Francisco e permanecem no estuário por dias ou semanas. Especialistas vinculam esse comportamento a mudanças climáticas.

O aquecimento global e alterações no gelo marinho do Ártico afetam a disponibilidade de alimento para a espécie durante a migração, contribuindo para deslocamentos que aumentam o risco de encontros com atividades humanas na baía. A detecção por IA surge como ferramenta para mitigar esse choque entre conservação e navegação.

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