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Canetas emagrecedoras podem auxiliar no tratamento de tumores, diz estudo

Estudos com agonistas GLP-1 associam menor incidência de câncer de mama e redução da progressão, com quedas de até 30% na incidência e 38% a 50% na progressão/metástase

Cientistas buscam entender se as canetas emagrecedoras também podem auxiliar mulheres com risco elevado de câncer - (crédito: Reprodução/Freepik)
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  • Pesquisas apresentadas na Asco sugerem que agonistas do receptor GLP-1, usados para emagrecimento, podem impactar tumores de mama, pulmão, intestino e fígado.
  • Um estudo com 111.646 mulheres (idade entre 45 e 80) revelou que quem usava GLP-1 teve cerca de 30% a menos de diagnósticos de câncer de mama em relação às não usuárias.
  • Os resultados se mantiveram em duas análises: na população geral houve 35,1% de redução; na comparação ajustada, a diferença foi de 30,5%.
  • Em outro estudo italiano com cerca de 27 mil pacientes, a combinação de medicamentos para perda de peso com tratamento oncológico reduziu o risco de morte por câncer de mama em cerca de 30%.
  • Uma pesquisa da Cleveland Clinic com 12 mil pacientes mostrou que usuários de canetas GLP-1 tiveram entre 38% e 50% menos probabilidade de desenvolver formas avançadas da doença ou metastase.

Três estudos apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago, indicam possível vínculo entre canetas emagrecedoras, que utilizam agonistas do GLP-1, e impactos em tumores de mama, pulmão, intestino e fígado. A pesquisa sugere redução na incidência de câncer e na progressão da doença, além de potencial ganho de sobrevida em pacientes oncológicos.

Um levantamento com 111.646 mulheres de 45 a 80 anos analisou prontuários entre janeiro de 2022 e junho de 2025. Entre 15.264 usuárias de GLP-1 e 96.382 não usuárias, houve menor diagnóstico de câncer de mama nas primeiras. A redução foi de 35,1% na população geral e de 30,5% na amostra ajustada.

O estudo, conduzido pela Universidade da Pensilvânia e apresentado pela professora Elizabeth McDonald, aponta que o uso de GLP-1 ocorreu concomitantemente à imagem mamária, sem interferência de fatores como idade, raça e obesidade. Os resultados foram publicados pela revista JCO Oncology Practice.

Avanços internacionais e desfechos

Outro estudo italiano com cerca de 27 mil pacientes mostrou que a combinação de medicamentos para perda de peso com tratamento convencional associou-se a queda de aproximadamente 30% no risco de morte por câncer de mama. Os autores destacam necessidade de confirmação em ensaios clínicos.

A Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, analisou 12 mil pessoas com tumores de mama, pulmão, intestino ou fígado. Os dados indicam que usuários das canetas tiveram entre 38% e 50% menos probabilidade de evoluir para estágios avançados ou de apresentar metástases.

Contexto e explicações técnicas

Pesquisas associam obesidade ao aumento de risco de câncer de mama, por meio de fatores como estrogênio no tecido adiposo, inflamação crônica e resistência à insulina. Os especialistas enfatizam que o ambiente metabólico do corpo pode favorecer a proliferação tumoral.

Médica da Oncologia D’Or destaca o papel da obesidade no manejo de pacientes com câncer de mama, incluindo intervenções para reduzir peso. A relação entre GLP-1 e redução de risco oncológico permanece em estudo, sem confirmação de causalidade exclusiva.

Perspectivas futuras e limites

A Universidade da Pensilvânia planeja um ensaio clínico multicêntrico para avaliar a eficácia da estratégia em mulheres com alto risco para a doença. Pesquisadores ressaltam que os benefícios potenciais não substituem medidas preventivas estabelecidas, como mamografias, alimentação saudável e atividade física.

Segundo Solange Sanches, do ACCamargo, a discussão sobre GLP-1 está ligada ao papel da obesidade na oncologia. Já a especialista Laura Testa aponta que o manejo do peso é frequente no cuidado de pacientes com câncer de mama, integrando estratégias de tratamento.

O que se sabe até agora

  • Agonistas de GLP-1 imitariam hormônio que regula insulina e saciedade, com efeitos sobre o peso e o metabolismo.
  • Dados apresentados sugerem associação entre GLP-1 e menor incidência ou progressão de certos cânceres, mas não estabelecem causalidade definitiva.
  • Pesquisas futuras devem esclarecer se os efeitos decorrem da perda de peso ou de vias biológicas diretas.

A comunidade médica segue acompanhando os resultados, que poderiam ampliar opções de prevenção e manejo oncológico, especialmente para pacientes com sobrepeso ou risco elevado.

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