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Engajamento de comunidades menonitas para reduzir desmatamento na América Latina

Colônias menonitas atuam como agentes sistemáticos de desmatamento na América do Sul, expandindo fronteiras agrícolas dentro da legalidade

A Mongabay investigation team visited the Ucayali region of the Peruvian Amazon where Mennonites are illegally converting pristine forests in the Peruvian Amazon into agricultural land. Image by Romi Castagnino for Mongabay.
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  • Comunidades Mennonitas atuam como agentes sistemáticos de expansão florestal na fronteira amazônica e do Gran Chaco, contribuindo para desmatamento ao transformar áreas de floresta em landscapes agrícolas.
  • Os colonos compram terras via canais formais, mas a origem da propriedade frequentemente envolve etapas problemáticas ou irregularidades, com expansão que afeta áreas além da colônia.
  • Em Bolivia, o desmatamento ligado a colônias Mennonitas é bem documentado, com dezenas de asentamentos e estimativas de cerca de 1 milhão de hectares desmatados diretamente.
  • Nos últimos anos, há expansão para Peru e Colômbia, onde novas colônias surgem em áreas de floresta virgem, utilizando técnicas agrícolas avançadas e aquisição de terras de baixo custo.
  • Brasil aparece como exceção geográfica significativa, pois não abriga colônias Mennonitas devido à lei que restringe a propriedade rural por estrangeiros, destacando um hiato de políticas públicas sobre esse fator de desmatamento.

O estudo analisa a atuação de comunidades Mennonitas na transformação de fronteiras agropecuárias na América do Sul e sua relação com o desmatamento. O texto aponta que, ao longo de mais de cinco décadas, colônias Mennonitas ampliaram áreas agrícolas no Gran Chaco, no Amazonas andino e em outras regiões, contribuindo para a retirada de florestas e a ocupação de áreas úmidas.

Segundo a análise, as colônias operam dentro da lei: compram terras formalmente, erguem comunidades estáveis e transferem know-how agronômico aos habitantes locais. No entanto, o impacto ecológico permanece relevante, independentemente da legitimidade jurídica das transações.

Em Bolivia, o caso é o mais documentado. A primeira colônia, Tres Palmas, surgiu em 1954, ligado a incentivos do governo para ocupação de áreas interiores. Ao longo dos anos, dezenas de colônias se formaram e cobraram grandes áreas, com padrões de ocupação em grelha e clareiras retangulares.

A estimativa de desmatamento diretamente ligado às colônias chega a quase 1 milhão de hectares, entre 1990 e 2000, conforme imagens de satélite. A expansão também ocorreu para regiões como Chiquitania, com uso de tecnologias agrícolas para superar solos ácidos.

Perspectivas geográficas e falhas de política

Não houve presença significativa de Mennonitas no Brasil, país que concentra a maior área amazônica. Leis de 1971 limitam a posse de terras por estrangeiros, tornando a formação de grandes blocos inviável. Essa ausência afeta a forma de políticas públicas de conservação na Amazônia.

A ausência brasileira também alimenta uma lacuna nas medidas de combate ao desmatamento, já que organizações internacionais costumam focar em políticas definidas pela experiência brasileira. Em Bolivia, Colombia e Peru, ainda não há engagements sistemáticos com as colônias.

Além da legalidade, o estudo ressalta que as colônias atuam como extensão agrícola de fronteira, com alto uso de insumos, monocultura e gestão intensiva de solo. Questões de fertilidade, qualidade de água e conectividade de rios aparecem entre os impactos menos estudados.

Caminhos para a política ambiental

Para enfrentar o desmatamento associado às colônias, o texto recomenda reformas no mercado rural, integração das terras Mennonitas aos sistemas de monitoramento, aplicação de regras de conservação a todos os proprietários e programas de engajamento cultural com conselhos comunitários.

A ideia é tratar as comunidades como parceiras em transformações ambientais, reconhecendo sua visão de gestão da terra e aplicando padrões sustentáveis compatíveis com suas práticas. A conclusão aponta a necessidade de ações coordenadas entre governos, sociedade civil e organizações religiosas.

Timothy J. Killeen, ecologista citado na análise, sustenta que a transformação da fronteira florestal exige resposta regulatória, institucional e de engajamento comunitário para reduzir impactos e promover uso sustentável da terra. Fonte: Mongabay.

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