- O governo francês confirmou o envio dos últimos cetáceos que vivem em Marineland Antibes: duas orcas e 12 golfinhos, para parques de entretenimento na Espanha.
- As orcas Wikie, de 25 anos, e Keijo, de 12, serão levadas ao Loro Parque, em Tenerife; os golfinhos serão distribuídos entre parques em Valência e Málaga, com possibilidade de retorno ao Zoológico de Beauval, na França, quando estiver pronto.
- Marineland Antibes encerrou as atividades em 2025; uma perícia de fevereiro de 2026 apontou declínio estrutural dos tanques de concreto, revelando risco de eutanásia se não fossem transferidos.
- Em vez de santuários, que não estariam prontos a tempo, o governo optou pela transferência para parques na Espanha, considerando Loro Parque a opção mais viável no momento.
- A decisão gerou críticas de organizações de bem-estar animal, que questionam a compatibilidade com a legislação francesa que pretende banir a captura e exibição de cetáceos para entretenimento a partir de dezembro de 2026.
O governo francês autorizou o envio das últimas cetáceas mantidas em cativeiro no país, duas orcas e 12 golfinhos, para parques zoológicos e de entretenimento na Espanha. A operação envolve o Marineland de Antibes, na Riviera Francesa, que encerrou as atividades em 2025. A sanção ocorre após lei de 2021 que proíbe reprodução e retenção de cetáceos para shows, com entrada em vigor em 2 de dezembro de 2026.
As duas orcas, Wikie, 25 anos, e seu filho Keijo, 12, nasceram em Marineland e passaram a vida em tanques de concreto, sob apresentações. Elas devem ser transferidas para o Loro Parque, em Tenerife, nas Ilhas Canárias. Os 12 golfinhos serão divididos entre dois parques na Espanha, em Valência e Málaga, com possibilidade de retorno de alguns à Beauval Zoo, na França, quando houver espaço.
Em fevereiro de 2026, um time de especialistas indicou que os tanques de Marineland apresentavam deterioração estrutural avançada e poderiam exigir eutanasia caso as cetáceas não fossem realocadas rapidamente. O ministro delegado para a transição ecológica, Mathieu Lefèvre, disse que a transferência é uma medida de emergência para evitar o pior cenário e que o Loro Parque é a opção viável no momento.
Destino e contexto
Antes, o governo considerou enviá-las a santuários marinhos na Grécia, Itália ou Canadá, mas os espaços não estavam prontos dentro do prazo de emergência. A ONG World Animal Protection afirmou que o bem-estar das cetáceas seria melhor com ambiente mais natural, aliado a cuidados humanos constantes, ainda que haja ceticismo sobre a adaptação ao mar aberto.
O Loro Parque, que já abriga cetáceos para entretenimento, afirmou que a transferência não é motivada por interesses comerciais e que assume responsabilidade moral e técnica. A gestão do parque ressaltou a capacidade de cuidar dos animais e a necessidade de evitar que Wikie e Keijo muçam com pouca alternativa viável na França.
Reações e cenário internacional
Críticos alertam para dilemas éticos e possíveis dificuldades de adaptação. A decisão francesa acontece em meio a debates globais sobre o fim da manutenção de cetáceos em cativeiro para entretenimento. A validade de futuras admissões a santuários ou aquários internacionais permanece em avaliação pelas autoridades envolvidas.
Enquanto se aguarda a chegada dos animais a seus novos lares na Espanha e na França, organizações de bem-estar animal continuam monitorando o caso, destacando a necessidade de critérios rigorosos de bem-estar e de supervisão contínua durante o processo de realocação.
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