- Charles Duhigg, autor de O poder do hábito, explica o conceito de loop do hábito (gatilho, rotina e recompensa) e como reprogramar rotinas no dia a dia e no ambiente de trabalho.
- Em entrevista em São Paulo, ele comenta a discussão sobre a redução da jornada no Brasil, defendendo que menos horas podem aumentar a produtividade desde que o trabalhador tenha controle sobre sua agenda.
- O autor vê a inteligência artificial como aliada, mas afirma que não se deve delegar o pensamento; é preciso escrever mais e deixar a IA escrever menos.
- Para crises, ele aponta que são oportunidades para mudar hábitos nas organizações; líderes devem reconhecer a crise e orientar mudanças em vez de minimizar o problema.
- Duhigg enfatiza práticas simples para adotar hábitos, como começar devagar, usar recompensas reais, fazer perguntas profundas e usar técnicas de “looping para entendimento” em conversas e decisões.
Charles Duhigg, jornalista americano, concede entrevista exclusiva em São Paulo. O escritor aborda hábitos, produtividade e o papel da inteligência artificial no trabalho. O debate ocorreu durante passagem no Brasil, em evento promovido pela Arco Educação. O foco é explicar o que pode mudar com hábitos bem estruturados e quando a IA ajuda ou atrapalha.
O autor de O poder do hábito redefine a ideia de produtividade: não é medir apenas horas, mas ter controle sobre o trabalho. Duhigg afirma que pequenas mudanças geram impactos duradouros e que o uso consciente de tecnologia não substitui o pensamento humano. Ele também comenta a discussão brasileira sobre a jornada de trabalho.
O livro central dele, publicado em 2012, apresenta o loop do hábito: deixa, rotina e recompensa. Segundo o autor, compreender esse ciclo é chave para transformar comportamentos no dia a dia. No Brasil, o debate atual sobre a provável redução da jornada ganha ecos no tema de produtividade.
Sobre o autor e as obras
Duhigg explica que, após o sucesso de O poder do hábito, vieram Mais rápido e melhor (2016) e Supercomunicadores (2024). Ele destaca como a ciência por trás da hábitos e da comunicação molda decisões em ambientes pessoais e organizacionais. O jornalista também compara técnicas de liderança e comunicação eficaz com práticas de mudanças de rotinas.
O repórter vencedor de Pulitzer revela que crises corporativas costumam expor hábitos falhos. Em situações de risco, líderes precisam reconhecer a crise e promover mudanças. A fala dele enfatiza que decisões repetitivas sem questionamento pioram resultados.
Inteligência artificial e produtividade
Questionado sobre IA, Duhigg afirma que a tecnologia está no começo de uma revolução. Ele diz que não se sabe ainda o quanto a IA aumenta a produtividade, e que o desafio é usar a ferramenta como apoio, sem delegar o pensamento. O escritor recomenda escrever mais e permitir que a IA escreva menos.
Para o uso pessoal, ele descreve prática de buscar informações com IA, mas manter a decisão humana. O objetivo é comparar dados, não abrir mão da autoria. Em termos de hábitos, ele sugere manter o foco em decisões relevantes, automatizando o restante.
A aplicação prática para empresas e consumidores
Ao discutir produtos, ele orienta pensar nas recompensas reais ao usuário. Reforça que recompensas artificiais não criam hábitos duradouros. Em ambientes corporativos, destaca a importância de perguntas profundas para entender motivações e interesses das pessoas.
Duhigg também apresenta o conceito de looping para entendimento em conflitos, com três passos: perguntar, repetir o que foi entendido com as próprias palavras e confirmar a precisão. Segundo ele, esse método fortalece a empatia e a comunicação eficaz.
Perspectivas sobre o Brasil e o futuro
Sobre o debate no Brasil, o autor cita que a redução da jornada pode aumentar a produtividade desde que haja controle sobre a agenda. Quando há rigidez excessiva, o efeito é inverso. A cultura de medir tudo é citada como ferramenta, não substituto de decisões humanas.
O escritor permanece otimista quanto a novos projetos editoriais. Mesmo diante de mudanças rápidas, ele acredita que o foco deve ser entender as forças que moldam comportamento e pensamento. O próximo livro deve tratar das transformações no cotidiano.
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