- Um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação alerta que o uso de antibióticos em animais pode subir cerca de trinta por cento nos próximos 15 anos, totalizando mais de 143 mil toneladas por ano em 2040, sem intervenção governamental.
- A resistência a antimicrobianos já custa bilhões de euros ao ano na Europa e pode chegar a um trilhão de dólares globalmente até 2050, com risco de tornar tratamentos comuns importantes menos eficazes.
- Em alguns lugares, o uso de antimicrobianos para promover o crescimento de animais ainda é comum, apesar de quedas recentes no total desde o pico de 2013.
- O FAO afirma que governos precisam agir, adotando métodos mais eficientes na produção e medidas para evitar doenças, para reduzir a dependência de antibióticos.
- A sugestão inclui regulamentação mais rígida sobre o uso de antibióticos na fazenda, com exemplos de políticas já em prática na União Europeia e debates sobre ampliar restrições no Reino Unido.
AFA FAO alerta: uso de antibióticos na criação de animais pode subir quase um terço nos próximos 15 anos se não houver ações governamentais. O aumento é apresentado por estimativas globais da FAO e preocupa pela resistência humana a antibióticos essenciais.
A maioria do antimicrobiano global é empregada no manejo de animais. Em vários países, o monitoramento é precário e, em muitos casos, antibiócianos são usados para promover o crescimento ou prevenir doenças sem supervisão rígida.
O estudo projeta que, se permanecer o cenário atual, serão administradas mais de 143 mil toneladas de antimicrobianos em animais até 2040, um salto de cerca de 30% em relação a 2019.
Desafios e tendências
Entre 2013 e hoje houve queda de cerca de um terço no consumo, fruto de ajustes no comércio e melhorias, mas a demanda por carne mantém o impulso, abrindo espaço para retorno do uso indiscriminado.
Os autores destacam que o caminho não é inevitável. Técnicas de manejo mais eficientes podem reduzir a necessidade de promoção de crescimento e facilitar a prevenção de doenças.
O custo humano e econômico da resistência é elevado: perdas na produção animal podem atingir centenas de bilhões de dólares até 2040, superando os custos de uma transição para práticas mais responsáveis.
Propostas e impactos regulatórios
O relatório da FAO recomenda tratar a eficácia dos antibióticos como bem público global e incentivar regulações para evitar abusos. A ideia é reduzir o uso excessivo sem prejudicar a saúde animal.
O movimento de organizações como ASOS enfatiza que a ruptura com a promoção de crescimento por antibióticos exige políticas fortes e higiene animal. O objetivo é evitar ciclos de resistência com custos altos.
A ASOS também defende que o Reino Unido proíba importação de carne produzida com promotores de crescimento. Enquanto o EU restringe o uso, o Reino Unido tem adotado regras menos rígidas desde o Brexit.
A UE banirá a partir de setembro a importação de carne, laticínios e ovos produzidos com antibióticos como promotora de crescimento. Analistas veem pressão para que o Reino Unido siga o mesmo caminho.
O debate também envolve o comércio internacional. Países como o Brasil já discutem endurecer normas para acompanhar padrões mais rigorosos da UE, influenciando a política externa e interna do setor.
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