- Em cinco décadas, desde 1981/1982, a AIDS chegou ao Brasil e hoje é tratada como condição crônica, com acesso a remédios pelo SUS, mas o estigma persiste.
- Desde 1982, cerca de 1,6 milhão convivem com HIV no Brasil, 1,1 milhão evoluíram para Aids e até o fim de 2024 foram registradas 402 mil mortes.
- Em 2024, foram 25.571 novos diagnósticos de HIV e 9.157 mortes por Aids no país, com queda de 12,8% nas mortes em relação a 2023.
- A taxa de mortalidade foi de 3,4 óbitos por cada 100 mil habitantes em 2024, a menor da série histórica.
- O perfil dos infectados mudou: 60 anos ou mais registrou aumento; relação de 28 homens para cada 10 mulheres; 59,7% de pretos/pardos entre os novos casos, e 36,8% de brancos.
Em 5 de junho de 1981, os Estados Unidos identificaram o início da epidemia de Aids, marco que se manteve vivo no Brasil. Quarenta e cinco anos depois, o país ainda encara o preconceito e registra milhares de diagnósticos e mortes por ano. A doença hoje é tratável como condição crônica.
No Brasil, desde 1982 até o fim de 2024, cerca de 1,6 milhão conviveram com o HIV, e 1,1 milhão evoluíram para Aids, conforme o DataSUS. Em 2024, foram registradas 9.157 mortes pela doença, com queda de 12,8% em relação a 2023.
A evolução médica mudou o retrato da Aids: a transmissão continua, mas o manejo é mais eficaz. O especialista Alvaro Costa, infectologista, ressalta que a doença passou de fatal para crônica com tratamento disponível pelo SUS, mantendo o estigma presente.
Vando Oliveira, diagnosticado em 1998, reforça a persistência do preconceito. Ele atua hoje como coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV no Ceará, observando que pessoas vulneráveis enfrentam maior dificuldade de acesso a tratamento e alimentação.
O perfil de infecção também mudou: 2024 apresentou proporção maior de homens com HIV, com 28 homens para cada 10 mulheres. Pretos e pardos representaram quase 60% dos novos casos, e a população com 60 anos ou mais cresceu 46,2% na última década.
Panorama epidemiológico
O boletim de Aids de 2025 aponta ainda que o Brasil tem a menor taxa de mortalidade desde o início da série histórica, 3,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2024, com queda de casos em comparação a 2023.
Desafios sociais
Especialistas destacam que o estigma permanece como obstáculo ao debate e à adesão a novos tratamentos. Ao mesmo tempo, políticas públicas são cobradas para evitar lacunas de acesso, especialmente entre populações mais vulneráveis.
Convivência com a doença
Pacientes relatam inseguranças iniciais relacionadas ao diagnóstico e ao impacto na vida familiar e social. Hoje, o foco é manter tratamento contínuo e reduzir barreiras de atendimento, alimentação e informação.
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