- Estudo da Fundação Oswaldo Cruz, feito em setenta municípios, aponta desafios de saúde, acessibilidade e assistência com o envelhecimento no Brasil, país que deve ter o dobro de idosos em vinte e cinco anos.
- Entre pessoas com mais de sessenta anos, três em cada dez são hipertensas, o que aumenta riscos de infarto, AVC e demência vascular; o tratamento não está totalmente eficaz.
- Mais de quarenta e dois por cento dos entrevistados têm medo de cair nas calçadas, e houve quedas como a de Dona Raimunda, oitenta e um anos, por falta de apoio ao sair de casa.
- Cerca de vinte por cento dos idosos têm dificuldade para realizar ao menos uma atividade diária sem ajuda; ao todo, cerca de seis milhões e meio têm autonomia comprometida, e menos de quarenta por cento recebem assistência.
- Especialistas ressaltam a necessidade de criar uma cultura do cuidado no país para proteger e assegurar segurança aos idosos diante do crescimento da população nessa faixa etária.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisa os impactos do envelhecimento da população brasileira. Realizado em 70 municípios de todas as regiões, o levantamento aponta déficits em saúde, acessibilidade e assistência para idosos. O país tende a duplicar o número de pessoas com 60 anos ou mais nas próximas décadas.
Entre os idosos, a hipertensão é comum: três em cada dez pessoas acima de 60 sofrem com pressão alta. Especialistas destacam que, mesmo em tratamento, a eficácia ainda é um desafio para evitar infartos, AVC e demência vascular.
A pesquisa também revela limitações na autonomia. Aproximadamente 20% dos idosos têm dificuldade para atividades diárias sem ajuda, como vestir-se, tomar banho ou alimentar-se. Ao todo, 6,5 milhões apresentam alguma dependência funcional.
Além disso, o estudo avaliou a infraestrutura urbana. Mais de 40% dos entrevistados têm receio de cair nas calçadas, sinalizando problemas de mobilidade e acessibilidade em cidades.
Desafios de cuidado e cultura do envelhecimento
Especialistas afirmam que o principal desafio é a construção de uma cultura do cuidado. O aumento da população idosa pode elevar pressões sociais se não houver proteção e segurança adequadas.
O estudo cita a necessidade de ampliar redes de apoio e serviços de saúde voltados para longevidade, com foco na prevenção e na reabilitação funcional.
Em Belo Horizonte, centros de convivência mostram a dependência de cuidadores para atividades básicas do dia a dia. Profissionais destacam a importância de treinamento, paciência e comprometimento no cuidado.
A pesquisa aponta ainda que o envelhecimento não será um problema isolado: crescerá a demanda por políticas públicas estruturais, com atenção à acessibilidade, à assistência domiciliar e à proteção social para a população idosa.
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