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Maioria das cidades brasileiras não tem plano de ação contra calor extremo

Maioria das cidades no Brasil não tem planos de ação para calor extremo, expondo a população a riscos de saúde e infraestrutura

Idoso atravessando rua em dia de calor no Rio de Janeiro.
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  • Aproximadamente sessenta e seis por cento das cidades brasileiras ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar planos de ação para enfrentar o calor extremo.
  • Sessenta e três por cento das cidades reconhecem o calor extremo como problema relevante, e sessenta e oito por cento o colocam entre os três principais desafios locais.
  • Três quartos das cidades não utilizam dados de forma estruturada para orientar decisões, e oitenta e cinco por cento dependem de recursos externos para adaptar-se, enquanto apenas quarenta e dois por cento possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos.
  • As ações atuais são predominantemente baseadas na natureza (arboretação, áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas) presentes em setenta e sete por cento dos municípios; medidas de resfriamento passivo aparecem em vinte e um por cento ou menos.
  • O Mutirão Contra o Calor Extremo envolve duzentas cinquenta e oito cidades no mundo, sendo cento e cinco no Brasil; nos próximos doze a dezoito meses, mais da metade pretende desenvolver políticas completas, mirando beneficiar cerca de sete milhões de pessoas. Além disso, há preocupação com o possível Super El Niño em 2026, que pode ampliar impactos.

O calor extremo preocupa cidades brasileiras, mas grande parte não tem planos de ação. Um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) aponta que 66% das cidades ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar medidas de enfrentamento. A pesquisa integra a presidência da COP30 e o Pnuma.

O levantamento faz parte do Mutirão Contra o Calor Extremo, da Coalizão pelo Resfriamento, que reúne 258 cidades globalmente, com 105 no Brasil. A análise envolveu 53 cidades brasileiras e revela avanços, porém com falhas estruturais na resposta local.

Entre os gestores, 93% reconhecem o calor extremo como problema relevante e 68% o colocam entre os três maiores desafios. No entanto, o risco ainda não se traduz em capacidades efetivas de atuação. Dados, governança e financiamento aparecem como entraves.

A estrutura de dados é deficiente: 75% das cidades não usa informações de forma estruturada para orientar decisões, e 85% dependem de recursos externos para medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos.

Em termos de ações, a maioria trabalha com soluções baseadas na natureza, como arborização, áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas, presentes em 77% dos municípios. Medidas de resfriamento passivo aparecem em 21% ou menos.

Quanto à compra pública, mais de 80% dos municípios não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, indicando fraca incorporação do tema às políticas estruturantes.

Calor extremo não é apenas dia muito quente; é um período de dias seguidos com acúmulo de calor que não se dissipa à noite. O efeito é uma escalada de desconforto, sobrecarga de sistemas urbanos e riscos à saúde pública, segundo os pesquisadores.

O documento destaca que as ondas de calor ajudam a explicar mortes associadas à saúde pública. Entre 2000 e 2020, no Brasil, ondas de calor estiveram ligadas a cerca de 50 mil mortes em regiões metropolitanas, superando óbitos por enxurradas e deslizamentos no mesmo período.

Ana Toni, CEO da COP30, afirma que a adaptação exige colaboração entre setores e governos, com apoio nacional e internacional. Ela lembra que o calor extremo já impõe mudanças em rotinas de estudantes, atletas e forças de segurança.

O Mutirão Contra o Calor Extremo, criado em 2025, busca apoiar cidades com diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana. Nos próximos 12 a 18 meses, metade das cidades pretende desenvolver políticas completas e outra parte atuará em áreas vulneráveis.

As ações devem beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas, entre 50 milhões de habitantes totais das cidades envolvidas, segundo a iniciativa. A expectativa coincide com alerta recente sobre o risco de um possível Super El Niño na segunda metade de 2026.

O Cemaden aponta que o fenômeno pode intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar ondas de calor no Centro-Oeste e provocar chuvas extremas na Região Sul, reforçando a urgência de planejamento.

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