- Billings, com 127 km², é a maior represa urbana de Brasil e abastece cerca de 22 milhões de pessoas, além de gerar energia e ajudar no controle de cheias.
- Grande parte da área está poluída por esgoto, resíduos industriais, resíduos farmacêuticos, microplásticos e matéria fecal; a defesa da mata atlântica e o desmatamento ilegal agravam o problema.
- Bióloga Marta Marcondes e o ativista Wesley Rosa monitoram a qualidade da água e alertam que, nas últimas década, a capacidade de armazenamento e a qualidade pioraram; a contaminação já levou a blooms de algas.
- Autoridades apontam falhas de fiscalização, políticas de gestão hídrica e expansão urbana desordenada; há investigação civil sobre o planejamento e possíveis deficiências de órgãos públicos.
- Em meio à crise hídrica causada pelo clima, Billings pode ganhar papel maior em períodos de escassez; comunidades defendem áreas verdes como o Parque dos Búfalos para proteção ambiental e lazer.
In a embaralhada paisagem de Billings, o maior reservatório urbano do Brasil enfrenta uma crise alimentada por poluição, desmatamento e ocupações irregulares. Em uma pequena lancha carregada de equipamentos, a bióloga Marta Marcondes e o ativista comunitário Wesley Silvestre Rosa percorrem a água e observam onde o esgoto corre para o reservatório.
A água, cercada por floresta Atlântica, revela áreas degradadas. Marcondes coleta amostras e aponta a queda na qualidade e na capacidade de armazenamento ao longo de uma década. O Billings abastece cerca de 22 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, além de gerar energia e contribuir para o controle de cheias.
No trecho mais poluído, chamado Grota Funda, há bolhas de bactérias fermentando e cheiro desagradável. Marcondes descreve a amostra que retira com cuidado, explicando que a situação pode colocar em risco quem bebe ou usa a água para atividades recreativas.
Paralelamente, moradores de favelas próximas responsabilizam a Sabesp pela repetição de despejos de resíduos no reservatório. A Sabesp afirmou que o incidente decorreu de entrada irregular de água da chuva na rede de esgoto, agravada pelo excesso de chuvas. Autoridades ambientais aplicaram multas à empresa.
Contexto ambiental
A área de Billings, com cerca de 127 km², é criticamente vulnerável a pressões urbanas. Deflagrações de desmatamento ilegal, ocupações para construção clandestina e sedimentação reduzem a capacidade de armazenamento e afetam o equilíbrio hidrológico da bacia.
A poucos quilômetros dali, comunidades como Jardim Apurá e Favela da Fumaça vivem na borda da área protegida. Segundo pesquisadores, a expansão imobiliária e o déficit de fiscalização ampliam riscos de poluição e de desabastecimento em períodos de seca.
Algumas iniciativas defendem proteção ambiental e uso responsável da água. O projeto da ONG Instituto de Água e Saneamento e a atuação de grupos locais visam campanas para manter áreas verdes e reduzir impactos da ocupação irregular, buscando um equilíbrio entre moradia e preservação.
Desdobramentos e perspectivas
O Billings, que completou 100 anos, continua a ser um recurso estratégico para a cidade, especialmente em períodos de estiagem. A governança da bacia exige maior integração entre autoridades, comunidades e setores privados para evitar agravamento da poluição e reduzir vulnerabilidades.
Analistas alertam que, sem planejamento, a atuação de setores públicos e privados pode agravar danos à água, à biodiversidade e à função de regulagem de cheias. A gestão da bacia é apontada como exemplo de como a poluição pode transformar um recurso essencial em um ativo de risco.
Moradores relatam impactos diretos, como inundações durante chuvas fortes e doenças associadas à água contaminada. A defesa de parques locais, como o Parque dos Búfalos, busca reforçar áreas verdes e incentivar práticas de convivência com a água, visando proteção de ecossistemas e bem-estar humano.
A Sabesp e as autoridades prometem medidas para reduzir a poluição e melhorar a fiscalização. Ainda assim, especialistas destacam a necessidade de ações integradas, com monitoramento contínuo, inspeções mais frequentes e participação comunitária para a recuperação de Billings.
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