- Um viticultor de Charente-Maritime instalou quatro hectares de vinhedos sob painéis fotovoltaicos para enfrentar calor, granizo e geadas, em uma primeira experiência desse tipo na região.
- O conjunto, com seis mil painéis orientáveis e custo de quatro milhões de euros, foi instalado pela Sun’Agri e inaugurado no início de maio; os painéis permitem alternar sombra e sol conforme a necessidade.
- A produção de eletricidade deve equivaler ao consumo de 800 a 1.000 famílias por ano; o investidor recebe o aluguel de 600 euros por ano ao produtor, por 30 anos.
- Os vinhedos de ugni blanc foram plantados a um metro abaixo da estrutura, que também pode ser operada pelo viticultor em caso de intempéries; a gestão é feita por software da Sun’Agri com dados meteorológicos e de crescimento.
- A viabilidade depende de regulações: a maioria das linhas de AOC/IGP impede cobertura de vinhedos, havendo exceções para experimentações; entidades agrícolas defendem avaliação e regras claras para ampliar o uso da agrivoltaico.
Para preservar os fios de cepas contra canículas, seca intensa e geadas tardias, um viticultor de Charente-Maritime instalou quatro hectares de vinhedos sob painéis fotovoltaicos. O projeto visa combinar produção agrícola com geração de energia elétrica.
A estrutura, fornecida e instalada pela Sun’Agri, conta com 6.000 painéis orientáveis para alternar sombra e sol conforme a planta. O investimento total foi de cerca de 4 milhões de euros. O vinhedo fica em Saint-André-de-Lidon, próximo a Saintes, e a lavoura é de ugni blanc. A central foi inaugurada no início de maio, marcando a primeira experiência no departamento no setor vitícola.
A fonte de energia gerada é vendida para um investidor e gera renda equivalente ao consumo de 800 a 1.000 famílias por ano; o agricultor recebe um aluguel de 600 euros por ano, durante 30 anos. O sistema é gerido em tempo real por software, com sensores que monitoram o crescimento da planta e dados meteorológicos. O viticultor pode intervir em situações como a ocorrência de granizo.
O movimento encontra resistência regulatória. A maior parte da produção nacional está protegida por AOC ou IGP desde 2002, o que impede a cobertura de vinhedos comagrivoltaicos. Exceções para experimentação são permitidas, conforme avaliação de órgãos reguladores. Algumas AOCs já rejeitaram o uso, citando impactos visuais e outros aspectos.
Entretanto, entidades ligadas ao setor veem potencial no agrivoltaísmo como ferramenta de adaptação climática, desde que acompanhado de regulamentação clara e monitoramento. O que se observa é um conjunto de projetos-piloto em várias regiões, com avaliações contínuas sobre impactos econômicos, ambientais e de qualidade da produção.
Entre na conversa da comunidade