- Cães parecem perceber o campo magnético da Terra e podem se alinhar no eixo norte–sul ao urinar ou defecar quando o campo está estável.
- A evidência vem de estudo publicado em 2013, realizado pela Universidade de Duisburg-Essen e pela Universidade de Ciências da Vida em Praga, com centenas de cães ao longo de dois anos.
- Mecanismos propostos incluem magnetita (partículas magnéticas no corpo) ou processos na retina dependentes da luz, mas ainda não há comprovação definitiva.
- O giro do animal antes de defecar pode funcionar como calibração da bússola interna, ajudando a alinhar o corpo conforme o campo magnético, mesmo que haja participação de outros fatores como olfato e terreno.
- A magnetorrecepção pode contribuir para a navegação dos cães, atuando como referência estável ao lado de pistas visuais e olfativas, especialmente em trajetos amplos ou desconhecidos.
O que é magnetorrecepção em cães e por que importa? Pesquisas indicam que cães percebem o campo magnético da Terra e podem alinhar o corpo na direção norte-sul em determinadas situações. Esse padrão aparece principalmente quando o campo magnético está estável.
A hipótese é de que cães usam esse referencial magnético como bússola biológica. Dois experimentos sobre cães mostraram alinhamento repetido com o eixo norte-sul durante defecação ou, com menos consistência, durante a micção. Variações magnéticas interrompem o padrão.
A descoberta ganhou força entre 2010 e 2013, com estudo da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, em parceria com a Universidade de Ciências da Vida em Praga. A pesquisa acompanhou centenas de cães por dois anos, em condições naturais.
Como o estudo foi feito? Os pesquisadores registraram a direção do corpo dos animais durante defecação e urina e cruzaram com dados geomagnéticos de observatórios oficiais. Quando o campo estava estável, houve preferência pelo alinhamento norte-sul.
O giro prévio do animal ao urinar é comum na prática. Pesquisadores sugerem que essa manobra também pode calibrar a bússola interna, ajustando a orientação magnética de forma automática, sem que o cão tenha noção consciente de norte ou sul.
Essa bússola interna ajuda na navegação? A magnetorrecepção seria apenas um dos recursos de orientação. Cães combinam memória de rotas, referências visuais, sons e odores. O eixo magnético pode oferecer um referencial estável quando outros sinais variam.
Resultados apontam que a magnetorrecepção pode facilitar trajetos de longo alcance e a recuperação de rotas não visíveis, atuando como complemento ao olfato. A interação entre sentidos reforça a organização espacial do animal.
Qual o impacto prático? Entender esse senso adicional amplia o conhecimento sobre capacidades cognitivas de cães. Pode influenciar estudos sobre bem-estar, planejamento de espaços urbanos e avaliação de efeitos de interferências magnéticas artificiais no comportamento canino.
O tema permanece em aberto, com debates sobre os mecanismos exatos. Duas hipóteses predominam: magnetita em tecidos ou processos na retina dependentes da luz. Pesquisas futuras buscam esclarecer como o cérebro integra esse sinal com outros sentidos.
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