- O CEO Jensen Huang afirmou na Computex 2026 que todos os dispositivos de borda se tornarão autônomos, incluindo PCs, carros, robôs, estações de base e satélites, com um padrão computacional único da nuvem até a ponta.
- A NVIDIA apresenta um conceito único chamado “harness”, que orquestra raciocínio, memória e ferramentas, independentemente de o sistema rodar em data center ou em notebook.
- Vera é o processador de servidor de 88 núcleos Arm (diz-se Olympus) feito pela NVIDIA, projetado para agentes e com ganhos de desempenho em relação ao x86; clientes iniciais incluem Anthropic, OpenAI, xAI, ByteDance, CoreWeave e Oracle.
- RTX Spark combina CPU Arm de 20 núcleos com GPU RTX Blackwell de 6.144 núcleos CUDA, até 128 GB de memória unificada e NVLink-C2C de 600 GB/s; notebooks com Spark devem chegar no segundo semestre de 2026.
- O formato NVFP4, de ponto flutuante de 4 bits, permite rodar modelos de até 120 bilhões de parâmetros em 128 GB; o primeiro PC com núcleos próprios da NVIDIA deve chegar somente em 2028.
O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, afirmou durante a Computex 2026 que todos os dispositivos de borda se tornarão autônomos nos próximos anos. Ele citou PCs, carros, robôs humanoides, estações de base de telecomunicações e satélites de imageamento como parte de um mesmo padrão computacional, que a empresa vem desenhando da nuvem até a ponta.
Huang deu as declarações na sequência de seu keynote no GTC Taipei, explicando a lógica por trás dos produtos apresentados na feira. O executivo descreveu uma arquitetura única que unifica raciocínio, memória e ferramentas, independentemente do dispositivo.
Para ele, toda a linha da NVIDIA converge para um modelo arquitetural comum, centrado em uma estrutura chamada “harness” que gerencia tarefas com baixa latência. Ele afirma que haverá um novo padrão de computação de borda autônoma em todos os dispositivos.
Um padrão computacional, múltiplos dispositivos
O roteiro de Huang aponta que agentes digitais devem rodar em várias plataformas, do servidor ao notebook. O conceito se aplica ao Vera, processador de servidor da empresa, e ao RTX Spark, primeira plataforma Windows com lançamento em notebooks no segundo semestre de 2026.
A NVIDIA descreve Vera como um chip Arm de 88 núcleos com design próprio, internalmente chamado Olympus. É o primeiro processador de servidor criado pela empresa desde Denver e Carmel, com foco em desempenho por thread e largura de banda de memória.
Segundo a fabricante, agentes não buscam apenas muitos núcleos, mas gerar tokens com latência na casa dos nanossegundos. Em testes internos, Vera teria ganho até 1,8x em conclusão de tarefas e 1,5x em instruções por ciclo ante o Grace. Um rack de 256 chips resfriados a líquido pode entregar seis vezes o throughput de um rack tradicional.
Vera, o processador feito para agentes
Entre os primeiros clientes citados estão Anthropic, OpenAI, xAI, ByteDance, CoreWeave e Oracle. A empresa projeta cerca de US$ 20 bilhões em receita de CPUs no ano fiscal atual, segundo a CFO Colette Kress. O Vera aparece como peça central da nova geração de agentes.
O RTX Spark combina uma CPU Arm de 20 núcleos pela MediaTek com a GPU Blackwell de 6.144 núcleos CUDA, até 128 GB de memória LPDDR5X unificada e conectividade NVLink-C2C de 600 GB/s. O chip usa o nó de 3 nm da TSMC e representa a primeira reformulação relevante de PCs em quatro décadas, segundo Huang.
RTX Spark e o PC como agente pessoal
Notebooks com RTX Spark já contam com confirmação de Microsoft, Dell, HP, ASUS, Lenovo e MSI para o segundo semestre de 2026. A plataforma dirige dispositivos como PCs a partir de um modelo de computação agêntica, com foco na capacidade de operar modelos de IA avançados.
A presença de NVFP4, um formato de ponto flutuante de 4 bits que escala entre 4, 8, 16 e 32 bits, aparece como solução para a demanda de memória. Esse formato quase dobra a quantidade de parâmetros que cabem num mesmo pool de memória, viabilizando modelos de alto porte em sistemas com 128 GB.
Carros, robôs e o blueprint único
Huang estendeu o mesmo modelo a veículos autônomos, descrevendo a stack Alpamayo como um sistema que raciocina em linguagem, não apenas reagindo a imagens. O veículo operaria por meio de um arquivo de habilidades e de vídeos tutoriais para manejar tarefas desconhecidas, conforme o CEO.
A ideia se aplica também a robôs humanoides, a estações de rádio da Nokia e a satélites de imageamento orbital, tratando tudo como instâncias do mesmo agente rodando em hardware diverso. O objetivo é unificar a arquitetura de IA entre plataformas distintas.
NVFP4 e a pressão sobre a memória
A apresentação destacou ainda a tensão de memória de alta largura de banda, com DRAMs mais caras desde 2026. A NVIDIA mostrou o NVFP4 como solução para ampliar a capacidade de parâmetros por pool de memória, especialmente para o RTX Spark rodar modelos grandes com 120 bilhões de parâmetros nos 128 GB disponíveis.
O Vera continua a usar núcleos Olympus desenvolvidos internamente, enquanto o RTX Spark emprega núcleos Arm licenciados pela MediaTek, com parte já de geração anterior. O primeiro PC com núcleos próprios da NVIDIA não deve chegar ao mercado antes de 2028, conforme o roadmap apresentado na feira.
Fonte: Tom’s Hardware
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