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Telemedicina eficaz precisa ir além da tela

Telemedicina avança, mas exige integração entre tela, dados e exame presencial; o futuro é modelo híbrido que amplia acesso e resolutividade

O próximo ciclo da telemedicina será menos medido pelo volume de chamadas e mais pela capacidade de resolver problemas (Foto: Vitaly Gariev/Unsplash)
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  • Telemedicina cresceu 65% em 2024 no Brasil, com 2,5 milhões de atendimentos; a meta é chegar a 10 milhões até 2027.
  • A TIC Saúde 2024 indica que 92% dos estabelecimentos de saúde já usam sistema eletrônico para registro dos pacientes.
  • Pesquisas mostram que 78% dos brasileiros têm interesse em usar serviços de saúde digitais, 81% avaliam as tecnologias positivamente e 49% demonstram interesse em teleconsulta, mas 35% apontam falta de confiança no atendimento online.
  • A telemedicina é eficaz quando orienta, acompanha e integra a jornada do paciente; apenas transferir a fila do atendimento para a tela não basta.
  • O modelo híbrido deve ganhar espaço, combinando capilaridade tecnológica com atendimento presencial e dados clínicos, especialmente em regiões de difícil acesso.

A telemedicina avançou no Brasil, mas os números apontam para uma mudança de foco. Em 2024, a telessaúde registrou alta de 65%, com 2,5 milhões de atendimentos, segundo o Ministério da Saúde. A meta é chegar a 10 milhões até 2027. Ao mesmo tempo, a TIC Saúde 2024 indica que 92% dos estabelecimentos já utilizam registro eletrônico de pacientes.

Essa virada traz desafio: atender bem não é apenas oferecer consulta por vídeo. Pesquisas mostram que 78% dos brasileiros têm interesse em serviços digitais, 81% aprovam as tecnologias e 49% desejam teleconsulta. Ainda assim, 35% citam falta de confiança no atendimento online como obstáculo.

O que mudou com a telemedicina

A prática reduz deslocamentos, aproxima especialistas e facilita o acompanhamento. Contudo, há limitações quando a função da telemedicina não acompanha a jornada do paciente nem integra informações clínicas. O uso isolado de videoconferência pode não gerar resolutividade.

Especialistas alertam que a qualidade do atendimento depende de dados clínicos completos, exames e histórico. Em áreas de baixa complexidade, a telemedicina funciona bem; em outras situações, a câmera não substitui o exame presencial ou a avaliação de sinais objetivos.

O caminho para o modelo híbrido

O ciclo seguinte da telemedicina deve privilegiar a resolução de problemas. O modelo híbrido, que combina tecnologia, atendimento presencial, equipes de apoio e prontuários organizados, ganha espaço. O paciente pode ficar perto de casa, com o especialista atuando remotamente com dados confiáveis.

Essa abordagem é crucial em periferias, cidades pequenas e áreas rurais, onde o desafio não é apenas conectividade, mas infraestrutura e continuidade do cuidado. A tela abriu portas; agora é preciso integrar tecnologia, presença física e informação clínica.

Iseli Yoshimoto Reis, CEO e fundadora da Fleximedical/Kure, reforça a necessidade de ampliar o olhar para além da tela e transformar a telemedicina em uma ferramenta de cuidado contínuo e completo.

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