- Astrônomos analisaram sete exoplanetas gigantes gasosos e mediram ventos atmosféricos de 7,2 mil até mais de 25 mil km/h, com dados do Very Large Telescope, no Chile, e do Gemini North, no Havaí.
- As velocidades observadas são cerca de 15 vezes maiores do que as correntes de ar mais rápidas em Júpiter.
- Os ventos parecem ser influenciados por campos magnéticos planetários, representando a primeira evidência robusta de magnetismo em planetas fora do Sistema Solar.
- A autora principal, Julia Seidel, afirma que a descoberta permite comparar ambientes magnéticos de mundos distantes e entender quais podem manter atmosferas e água.
- Os campos magnéticos estimados ficam entre quatro vezes o de Saturno e metade da intensidade do de Júpiter, e podem provocar auroras; estudo foi publicado na Nature Astronomy.
Dois telescópios no Chile e no Havaí identificaram sinais de campos magnéticos em exoplanetas, ampliando o entendimento sobre mundos além do Sistema Solar. A pesquisa aponta ventos atmosféricos ultrarrápidos que, em alguns casos, superam 25 mil km/h. A descoberta sugere ligação entre magnetismo e dinâmica atmosférica externa.
A equipe analisou sete gigantes gasosos semelhantes a Júpiter. Dados do Very Large Telescope (VLT), no deserto de Atacama, e do Gemini North, no Havaí, foram usados para medir as velocidades dos ventos em atmosferas exoplanetárias quentes. Os ventos variaram de 7,2 mil a mais de 25 mil km/h.
Os resultados indicam influência direta de campos magnéticos na aceleração ou freio dos ventos. A autora principal, Julia Seidel, afirma que a evidência representa avanço na busca por ambientes que preservem água e atmosfera, essenciais à possibilidade de vida.
Metodologia e principais observações
Os exoplanetas estudados apresentam um hemisfério sempre voltado para a estrela. Esse regime gera diferenças térmicas extremas entre os lados diurno e noturno, alimentando ventos intensos. A surpresa foi que planetas mais quentes apresentaram ventos mais lentos, sugerindo a atuação de magnetos globais como freio natural.
O coautor Vivien Parmentier explica que a hipótese do freio magnético explica dados contraintuitivos. A força dos campos permite estimar intensidades comparáveis às de planetas do nosso sistema, com alguns casos chegando a quadruplicar Saturno e chegando próximo de metade do campo de Júpiter.
Além de modular os ventos, os pesquisadores sugerem que esses campos magnéticos podem provocar fenômenos semelhantes às auroras, por meio da interação entre partículas solares e a atmosfera. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.
Os cientistas destacam que a magnetosfera externa é uma peça-chave para entender a habitabilidade potencial de mundos distantes. A pesquisa avança a compreensão de ambientes exoplanetários e quais poderiam sustentar atmosferas estáveis e água líquida no longo prazo.
Fonte: estudo apresentado em Nature Astronomy.
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