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Aquecimento global deixa a pesca no Brasil mais instável

Com o aquecimento global e o super El Niño, a pesca brasileira deve ficar mais instável, com deslocamento de cardumes e queda de produtividade

Cardume na Reserva Biológica Atol das Rocas, localizada nas proximidades de Natal e Fernando de Noronha.
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  • O aquecimento global já altera a dinâmica dos oceanos, fazendo com que peixes busquem águas mais frias e deslocando cardumes para sul ou para águas mais profundas, tornando a pesca mais instável.
  • O super El Niño deste ano pode agravar a situação ao aquecer ainda mais o Oceano Atlântico.
  • A economia azul já representa 2,9% do PIB brasileiro e 1,07% dos empregos diretamente; com efeitos indiretos, sobe para 6,5% do PIB, envolvendo mais de 4,7 milhões de trabalhadores.
  • Mudanças na distribuição de espécies já ocorrem, como a albacorinha, que passou a aparecer mais no Sudeste e Sul, aumentando custos e alterando rotinas de pesca.
  • Desafios estruturais incluem falta de estatísticas atualizadas (último dado oficial é de 2011) e políticas públicas instáveis; medidas de manejo na aquicultura ajudam, mas requerem ações de Estado e cooperação regional para reduzir riscos climáticos e sanitários.

O aquecimento global já afeta a pesca no Brasil, alterando a dinâmica dos oceanos e a rota de espécies marinhas. Isso impacta a economia de regiões produtoras, principalmente nos ambientes tropicais.

Pesquisadores ligados ao Inpo, como Ronaldo Cavalli, da UFRG e Flávia Frédou, da UFRPE, apontam que o aumento da temperatura faz cardumes migrar para águas mais frias ou profundas. A expectativa é de maior instabilidade na atividade pesqueira.

A situação se agrava com o super El Niño previsto para este ano, que eleva ainda mais a temperatura do Oceano Atlântico. A previsão é de impactos maiores sobre a disponibilidade de pesca e a segurança alimentar em países em desenvolvimento.

Mudanças na distribuição de espécies

Cavalli destaca que a albacorinha, prima do atum, migrou do Nordeste para o Sudeste e Sul. O deslocamento eleva custos de produção, aumenta o tempo de mar e reduz a renda de pescadores menores. A indústria de pesca sente o peso disso em toda a cadeia.

Segundo o pesquisador, a dinâmica de pesca envolve também a aquicultura. Embora avansem, a pesca permanece como importante sustento para comunidades tradicionais, com impactos sociais significativos em diversas regiões do país.

Impactos econômicos e questões de governança

Estudos da USP indicam que a economia azul brasileira já representa 2,9% do PIB, com 1,07% dos empregos diretos, elevando para 6,5% quando considerados efeitos indiretos. O desafio é adaptar políticas públicas e dados estatísticos.

Cavalli alerta para impactos sanitários na aquicultura, como mortes de ostras em Santa Catarina por ondas de calor. A contaminação de moluscos filtradores e o aumento de algas também são riscos associados ao aquecimento.

Caminhos para reduzir riscos

Especialistas defendem práticas de manejo na aquicultura, incluindo escolha de áreas, diversificação e genética. Ainda assim, ressalvam que decisões estratégicas de estado e ações para reduzir a mudança climática são cruciais.

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