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Nanotecnologia brasileira permite tratar doença de pele com precisão

Plataforma brasileira usa nanopartículas de cristais líquidos para transportar RNA terapêutico e silenciar inflamação em psoríase e vitiligo

A psoríase afeta entre 2% a 3% da população mundial - cerca de 190 milhões de pessoas, das quais aproximadamente 5 milhões no Brasil
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  • Pesquisadores da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, desenvolveram uma plataforma de nanotecnologia para tratar psoríase e vitiligo, usando nanopartículas de cristais líquidos para transportar RNA terapêutico às células da pele.
  • O RNA de interferência (siRNA) silencia genes inflamatórios, visando reduzir a inflamação crônica associada às doenças.
  • Os resultados mais recentes foram apresentados durante a FAPESP Week Londres, no Museu de Ciências (Science Museum), em Londres.
  • O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e envolve o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Nanotecnologia Farmacêutica e o laboratório NanoGeneSkin.
  • A plataforma pode combinar RNA com medicamentos anti-inflamatórios, há patentes depositadas e há interesse de empresas farmacêuticas em licenciar a tecnologia, com etapas de escalonamento industrial em andamento.

A USP de Ribeirão Preto desenvolve uma plataforma de nanotecnologia para tratar doenças de pele como psoríase e vitiligo. Nanopartículas de cristal líquido transportam RNA terapêutico diretamente às células da pele para silenciar genes inflamatórios.

O estudo integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica e recebe financiamento da FAPESP e do CNPq. A coordenação fica a cargo de Maria Vitória Bentley, líder do NanoGeneSkin.

Os resultados mais recentes foram apresentados durante a FAPESP Week Londres, no Science Museum, em Londres, na Inglaterra. A divulgação contou com dados de pesquisas em andamento no laboratório.

A psoríase afeta entre 2% e 3% da população mundial, cerca de 190 milhões de pessoas, incluindo aproximadamente 5 milhões no Brasil. O vitiligo também é foco da plataforma, por envolver a destruição de melanócitos.

Silenciamento genico

A estratégia usa RNA de interferência (siRNA) para bloquear a produção de proteínas inflamatórias associadas às doenças. A equipe identifica alvos específicos e utiliza RNA complementar para silenciar citocinas.

Transportar o RNA até as células é o principal desafio, já que o material é instável e a pele atua como barreira. Nanopartículas de cristais líquidos protegem o material genético e facilitam a absorção cutânea.

Estudos em modelos celulares e animais indicam que as nanopartículas podem levar múltiplos RNAs ao mesmo tempo e combinar com anti-inflamatórios, abrindo caminho para quadros complexos como a psoríase.

Perspectivas e aplicações

A plataforma também é estudada para vitiligo e feridas crônicas, com uma patente relacionada ao uso de RNA e nanopartículas. Pesquisas contemplam ainda estruturas para entrega de RNA mensageiro (mRNA).

Há interesse de empresas farmacêuticas em licenciar a tecnologia, embora o desenvolvimento clínico ainda exija etapas adicionais. Em testes animais, algumas formulações reduziram o crescimento de tumores ao contato com células cancerosas.

O grupo já depositou duas patentes e trabalha em escalonamento industrial para viabilizar a comercialização. O avanço depende de etapas de desenvolvimento clínico e validação em humanos.

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