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Cosmeticorexia: meninas ficam obcecadas por skincare, aponta estudo

Cosmeticorexia leva meninas a rotinas de skincare intensas desde cedo, com riscos à saúde da pele e à autoestima em meio às redes

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  • Cosmeticorexia é o termo usado por dermatologistas para descrever a obsessão precoce por uma pele “perfeita” e o uso excessivo de cosméticos, com foco em alcançar resultados no rosto.
  • A história de Ellie-May mostra uma menina de 13 anos que começou aos oito, ganha dinheiro com posts em várias redes e tem mais de 330 mil seguidores apenas no TikTok.
  • O segmento de skincare para crianças e adolescentes cresceu rapidamente, com marcas e influenciadoras jovens, gerando preocupação sobre impactos na saúde e no consumo.
  • Há riscos à pele de crianças, como uso de ativos fortes (ex.: retinol), dermatite de contato e até alopecia frontal fibrosante, além de possíveis efeitos hormonais e reações adversas.
  • Especialistas alertam para impactos psicológicos e de autoestima, ressaltando a necessidade de orientação adequada para crianças, pais e anunciantes, bem como maior cuidado com conteúdo e marketing voltados a menores.

A cosmeticorexia é um termo utilizado por dermatologistas e pesquisadores para descrever uma obsessão precoce por ter uma pele “perfeita”, com uso excessivo de cosméticos. O tema ganha atenção à medida que meninas participam de rotinas de skincare cada vez mais complexas.

Um caso emblemático envolve Ellie-May, de 13 anos, que começou a produzir conteúdos sobre skincare aos 8. Ela divulga rotinas completas em plataformas como TikTok, Facebook, YouTube e Snapchat, contribuindo para a principal fonte de renda da família.

A família, com mãe Sophie na liderança, vive no sudeste da Inglaterra. Segundo a mãe, as redes geram mais de £50 mil por ano, e Ellie-May já reunia centenas de milhares de seguidores só no TikTok. A exposição vem acompanhada de parcerias com marcas.

O interesse em skincare entre crianças tem crescido junto com a oferta de produtos cada vez mais sofisticados. Pesquisadores apontam que muitos itens visam benefícios antienvelhecimento, o que amplia a pressão para alcançar uma pele “perfeita” desde a infância.

Aparência em primeiro lugar

Dermatologistas definem cosmeticorexia como uma obsessão pouco saudável desde cedo, associada à busca por perfeição estética. Estudos apontam que jovens podem dedicar horas a vídeos de skincare e usar múltiplos produtos por dia.

A indústria de cosméticos é multibilionária e atrai críticas sobre publicidade dirigida a menores. Em Itália, a AGCM abriu investigações contra Sephora e Benefit da LVMH por possíveis estratégias de marketing envolvendo jovens microinfluenciadores. A LVMH afirma cooperação com autoridades e reforço de orientações para consumidores.

No Reino Unido, a Advertising Standards Authority acompanha os desdobramentos italianos. A entidade afirma avaliar possíveis problemas semelhantes, sem medidas regulatórias formais no momento. Pesquisas indicam custo médio de rotinas de skincare publicadas por menores, estimado em £125.

Especialistas alertam para riscos à pele de crianças, como irritações, alergias e até alopecia frontal fibrosante associada ao uso intenso de cosméticos. Profissionais ressaltam a necessidade de orientar pais sobre hábitos adequados e idade apropriada para produtos.

Pais e marcas também têm responsabilidade. Entidades representativas, como a Cosmetics Toiletry and Perfumery Association, divulgaram guia para orientar famílias sobre uso adequado por faixa etária, evitando rotinas desnecessárias. Em meio ao debate, surge a possibilidade de novas regulamentações e de educação pública sobre saúde da pele.

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