- Pesquisadores identificaram uma ampla rede geológica sob o gelo da Antártida, com montanhas enterradas, vales e rochas antigas.
- A descoberta ajuda a entender como o continente se formou e como a crosta se deformou ao longo de milhões de anos, além de influenciar a dinâmica atual da camada de gelo.
- Os dados foram obtidos por expedições internacionais usando radar de penetração no gelo, gravimetria, magnetometria e sísmica.
- Mapas mostram antigos limites de placas, bacias e zonas de falha, além de relevarem caminhos de fluxo do gelo que podem afetar o nível do mar.
- Pesquisas futuras devem ampliar dados na Antártida Oriental e integrar medições em modelos para reduzir incertezas sobre clima e elevação dos oceanos.
Sob camadas de gelo, uma rede geológica oculta sob a Antártida foi identificada por pesquisadores de várias nacionalidades. O achado revela montanhas enterradas, vales profundos e rochas antigas, sugerindo o “esqueleto” do continente. A descoberta ajuda a entender a formação do continente e a evolução da crosta.
Segundo os cientistas, a estrutura registrada influencia a distribuição do gelo e a dinâmica das geleiras. A partir de dados indiretos, é possível interpretar como a Antártida se formou e como a crosta se deformou ao longo de milhões de anos, permitindo estimar impactos no comportamento atual da camada de gelo.
As expedições envolvidas ocorreram ao longo de anos, com aeronaves equipadas para observação geofísica. Técnicas indiretas, como radares de penetração no gelo, gravimetria e magnetometria, foram centrais para mapear o subsolo sem perfurar o gelo.
Metodologia
Radar de penetração no gelo foi o principal instrumento, sobrevoando o continente com ondas que atravessam o gelo e retornam ao sensor. O tempo de retorno indica a espessura do gelo e a topografia subjacente.
Dados de gravimetria apontam variações de densidade na crosta, ajudando a identificar bacias e cadeias montanhosas antigas. A magnetometria contribui para caracterizar tipos de rocha e limites de placas antigas.
Sísmica complementa as informações ao detectar a profundidade da crosta e zonas de falha, com base em tremores naturais ou explosões controladas, quando disponíveis. Modelos computacionais geram mapas 3D do substrato subterrâneo.
Implicações para o gelo e o nível do mar
A história tectônica da Antártida é central para entender onde o gelo se acumula e como as geleiras respondem ao aquecimento. Substratos com bacias profundas favorecem derretimento basal, aumentando a vulnerabilidade ao oceano.
Regiões montanhosas enterradas atuam como barreiras, retardando o recuo de geleiras em frentes específicas. As novas informações ajudam a reduzir incertezas em projeções de elevação do nível do mar, ao embasar cenários futuros com dados mais sólidos.
Próximos passos
Ainda há áreas com dados limitados, principalmente no interior da Antártida Oriental. Pesquisas internacionais planejam novas campanhas aéreas e observatórios remotos para monitorar a evolução da camada de gelo em tempo quase real.
Além disso, equipes buscam incorporar o conhecimento geológico em modelos numéricos mais sofisticados, avaliando respostas do gelo a diferentes cenários de aquecimento e fatores como vulcanismo e circulação de água sob as plataformas.
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