- Estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences indica que carvalhos com quase mil anos nasceram nas florestas italianas após o recuo humano causado pela Peste Negra, a partir de 1347.
- Em Aspromonte, no sul da Itália, e na Ilha de Montecristo houve um boom de novas árvores no início dos anos 1400, correspondendo ao período de queda populacional.
- A idade das árvores foi determinada por datação por radiocarbono, com uso de um acelerador de partículas no Centro de Física Aplicada da Universidade de Salento.
- Na Ilha de Montecristo, algumas árvores chegaram a quase 950 anos; em Aspromonte o processo foi mais lento por solo já degradado pela exploração medieval.
- Os pesquisadores destacam que a diminuição da pressão humana permite a recuperação de ecossistemas florestais, com lições para reflorestamento e combate às mudanças climáticas, e mencionam proteção pela polícia ambiental italiana.
O estudo revela que carvalhos com quase mil anos surgiram nas florestas da Itália após o recuo humano causado pela Peste Negra, que devastou a população europeia a partir de 1347. A pesquisa, publicada na revista PNAS, associa o colapso demográfico à regeneração de ecossistemas mediterrâneos.
Os pesquisadores analisaram carvalhos nas montanhas de Aspromonte, no sul da Itália, e na Ilha de Montecristo. Observou-se um surto de novas árvores no início dos anos 1400, período que sucede a pandemia e coincide com a queda de atividades agrícolas, pastoris e de uso da madeira.
O estudo aponta que a doença contou com a bactéria Yersinia pestis e dizimou entre um terço e metade da população europeia. Com a redução populacional, a pressão humana sobre o ambiente diminuiu, abrindo espaço para o renascimento de florestas.
Para determinar a idade das árvores, os cientistas recorreram à datação por radiocarbono, analisando fragmentos minúsculos da madeira. O avanço ocorreu com o uso de um acelerador de partículas instalado no Centro de Física Aplicada da Universidade de Salento.
Resultados indicam que alguns carvalhos-da-da-rocha em Montecristo atingiram quase 950 anos, superando estimativas anteriores da espécie em cerca de duas décadas. O estudo também mostrou que tamanho nem sempre corresponde à idade.
Segundo o dendroecologista Michele Baliva, longevidade não depende de crescimento rápido, mas de resistência a condições ambientais ao longo dos séculos. Em Montecristo, o recuo humano acelerou o ganho de jovens árvores.
Atualmente, as florestas enfrentam novas ameaças, como mudanças climáticas e danos de cabras selvagens em Montecristo. A preservação das áreas conta com o apoio da polícia ambiental italiana, a Carabinieri Forestali, para coibir danos.
A pesquisa reforça que a natureza pode se recuperar com tempo e espaço adequados, oferecendo lições para políticas públicas de reflorestamento e adaptação climática. O estudo também envolve participação de instituições italianas e cooperação internacional.
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