- O radiologista brasileiro Pedro Moraes apresentou a técnica inédita “Dry Martini” no European Congress of Radiology 2026, em Viena, para tornar a ablação térmica da tireoide mais segura em regiões delicadas do pescoço.
- A técnica usa hidrodisseção com solução glicosada e ultrassom para criar uma zona de proteção estável ao redor de estruturas críticas como carótida, traqueia e nervos da voz.
- Moraes afirma que o método oferece uma abordagem mais previsível, contínua e reprodutível ao longo da ablação, mantendo as estruturas próximas protegidas.
- Dados iniciais apontam sucesso técnico em quinze casos, com boa resposta clínica, redução dos nódulos e recuperação minimamente invasiva para muitos pacientes.
- O pesquisador planeja ampliar o estudo, aumentar o tempo de acompanhamento e testar a técnica em diferentes cenários clínicos, enfatizando segurança e qualidade de vida dos pacientes.
O radiologista brasileiro Pedro Moraes apresentou no European Congress of Radiology 2026, em Viena, a técnica inédita chamada Dry Martini, voltada para ablação térmica da tireoide em regiões do pescoço próximas a estruturas de maior sensibilidade. A novidade, desenvolvida no Brasil, busca aumentar a segurança de procedimentos minimamente invasivos.
A ideia nasceu na prática clínica, diante do desafio de tratar nódulos localizados próximo à carótida, traqueia e nervos da fala. A técnica combina hidrodissecção com solução glicosada, ultrassom como guia e conceitos consolidados de ablação, transformando a proteção entre calor terapêutico e estruturas críticas em algo estável e repetível.
O método foi apresentado como uma evolução da ablação já usada em outros países, com o objetivo de manter uma zona de proteção constante durante todo o procedimento. O nome Dry Martini remete ao visual observado em tempo real por ultrassom, que lembra uma azeitona atravessada por um palito, e simboliza equilíbrio entre eficácia e preservação.
Precisão em regiões delicadas do pescoço
O pescoço concentra vasos, vias aéreas e nervos que influenciam a voz. O calor da ablação, se mal controlado, pode causar lesões graves. Moraes destaca que a distância adequada e a dissipação térmica são críticos para evitar danos a estruturas como o nervo laríngeo e a traqueia.
Resultados iniciais indicam eficácia e segurança. Em 15 casos avaliados, houve 100% de sucesso técnico e boa resposta clínica. A técnica manteve margem de segurança sem intercorrências relevantes, com redução dos nódulos no acompanhamento inicial.
Pacientes atendidos buscaram evitar cirurgia invasiva, temendo cicatrizes, anestesia geral ou impactos hormonais. Moraes ressalta recuperação rápida, anestesia local e alta clínica, características valorizadas por quem busca tratamento minimamente invasivo.
Ablação térmica como opção terapêutica
A técnica complementa a cirurgia, que continua essencial para tumores mais complexos. A Dry Martini pode beneficiar um grupo seleto de pacientes que se enquadram em tratamentos menos invasivos, preservando a função tireoidiana e reduzindo tempo de recuperação.
O objetivo é ampliar o número de casos, ampliar o tempo de acompanhamento e testar a reprodutibilidade em diferentes cenários clínicos. Moraes aponta que a evolução precisa ocorrer com responsabilidade, pesquisa robusta e monitoramento de longo prazo.
O reconhecimento internacional do trabalho reforça a capacidade brasileira de inovar na radiologia. Moraes entende que a divulgação no ECR evidencia a qualificação e a criatividade de profissionais nacionais ante desafios complexos, consolidando avanços na área.
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