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Carbono azul avança na agenda climática dos oceanos

Carbono azul ganha espaço na agenda climática, com manguezais, marismas e pradarias atuando como sumidouros de CO₂ e protegendo comunidades costeiras

Manguezal na Baía de Paranaguá, área da Grande Reserva da Mata Atlântica, onde ocorre monitoramento por pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • O carbono azul, ou seja, CO₂ capturado e armazenado por ecossistemas marinhos como manguezais, marismas e pradarias, é visto como aliado no enfrentamento das mudanças climáticas, especialmente no Dia Mundial dos Oceanos.
  • O oceano recebe cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e gera mais da metade do oxigênio que respiramos, segundo a Conservação Internacional (CI-Brasil).
  • O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, posição estratégica para soluções baseadas na natureza, mas o oceano ainda recebe menos atenção pública e política.
  • Os manguezais protegem a costa, sustentam a biodiversidade e a pesca artesanal; a degradação pode liberar carbono acumulado e agravar o aquecimento global.
  • A proteção dos oceanos também envolve empregos e segurança alimentar: no Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem da saúde dos ecossistemas marinhos, e organizações defendem governança, restauração e participação das comunidades tradicionais.

O carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos, com foco em ecossistemas costeiros que capturam e armazenam CO₂. A ideia ganhou força durante o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda-feira (8).

Especialistas destacam manguezais, marismas e pradarias como sumidouros naturais. Esses ambientes reduzem o CO₂ atmosférico e ajudam a mitigar o aquecimento global, além de oferecer proteção à biodiversidade e às comunidades costeiras.

A afirmação de que o oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e fornece boa parte do oxigênio circula entre dados da organização SOS Oceano e especialistas ouvidos pela reportagem. A relevância desses ecossistemas vai além do carbono.

Costa brasileira

O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, ao longo da costa da Amazônia, o que coloca o país em posição estratégica para soluções baseadas na natureza frente à crise climática.

Marina Corrêa, analista da WWF-Brasil, afirma que o oceano ainda recebe menos atenção do que outros biomas. Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de km², quase 40% do território nacional, com metade da população vivendo nesse ecossistema.

Povos tradicionais

A expansão de projetos de carbono azul levanta questões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. A WWF-Brasil aponta que resultados duradouros dependem do respeito aos direitos e da repartição de benefícios.

Marina Corrêa enfatiza que o sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pelo carbono armazenado, mas também pela proteção de territórios, biodiversidade e melhoria de vida de quem cuida dos ecossistemas.

Quando degradados, manguezais, recifes e restingas perdem serviços como manutenção de estoques pesqueiros e proteção costeira, além de liberar carbono acumulado no ambiente para a atmosfera.

Além do carbono

Organizações ambientais defendem que proteger os oceanos também protege empregos, segurança alimentar e culturas tradicionais. Natali Piccolo, da CI-Brasil, destaca que a pesca sustenta milhões de empregos e a produção de pescado, além de contribuir para a segurança alimentar.

No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem da saúde dos ecossistemas marinhos, conforme o Registro Geral da Atividade Pesqueira. A parceria entre governos, ciência e sociedade civil é apontada como essencial para o avanço.

A atuação conjunta de instituições públicas e organizações da sociedade civil é considerada crucial para restaurar manguezais, recifes e restingas, fortalecendo territórios e promovendo governança oceânica de forma mais ampla.

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