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Cientistas revelam como este animal fica 5 anos sem se alimentar

Batomimídeos de águas profundas sobrevivem por mais de cinco anos sem alimento, com estômago grande, metabolismo basal baixo e ND1 adquirido horizontalmente

Isópodes são crustáceos que possuem todas as patas idênticas — Foto: Li Xinzheng
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  • Cientistas da Universidade da Academia Chinesa de Ciências estudaram dois isópodes de águas profundas, Bathynomus doederleini e Bathynomus jamesi, encontrados a cerca de 300 e 898 metros, respectivamente.
  • Eles identificaram que um estômago dilatado, ocupando cerca de dois terços do corpo, armazena grandes quantidades de alimento junto a uma taxa metabólica basal baixa, permitindo sobrevivência sem alimentação por longos períodos.
  • Quando alimentados, os animais geram uma pasta digerida semelhante a lama, com baixa presença de bactérias digestivas e riqueza de Chlamydiae, associadas ao armazenamento de lipídios.
  • Também houve identificação do gene ND1, transferido horizontalmente de bactéria simbiótica, que modula o metabolismo energético e tem expressão ampliada pela epigenética de histonas.
  • O ND1 aumenta a tolerância à privação de nutrientes em condições de baixa temperatura; ao ser introduzido em outros organismos, houve maior aceitação de sobrevivência em ambientes com pouca alimentação.

O isópode de águas profundas Bathynomus doederleini e Bathynomus jamesi pode sobreviver por mais de cinco anos sem comer. A descoberta foi publicada na revista Cell na última sexta-feira. A pesquisa aponta estômago dilatado e metabolismo reduzido como fatores centrais.

A equipe da Universidade da Academia Chinesa de Ciências analisou duas espécies de batinomídeos, em profundidades de 300 m e 898 m. Foram usadas abordagens de genômica, morfologia, fisiologia, comportamento e metagenômica para entender a tolerância à inanição.

Os resultados destacam que o estômago gigante, ocupando cerca de dois terços do corpo, armazena grandes quantidades de alimento. A pasta resultante tem baixa presença de bactérias digestivas, com abundância de Chlamydiae, associadas ao armazenamento de lipídios.

Estrutura metabólica e genética

A pesquisa identificou uma taxa metabólica basal muito baixa, o que ajuda a conservar reservas energéticas. Além disso, foi registrado o gene ND1, transferido horizontalmente, apontado como crucial para o metabolismo energético.

O ND1, originário de bactérias simbióticas, está integrado ao genoma dos isópodes. A expressão elevada desse gene modula a rede mitocondrial e reduz a depressão metabólica, favorecendo organismos grandes com acesso limitado a alimento.

Epigenética e adaptação em temperaturas profundas

A expressão de ND1 é regulada por modificações epigenéticas de histonas, o que reforça a eficiência energética em condições de baixa temperatura. Experimentos em peixes-zebra, nematóides e células humanas sugerem aumento de tolerância à privação de nutrientes sob essas condições.

Os cientistas destacam que a combinação de transferência horizontal de genes e epigenética representa uma estratégia evolutiva inédita na fauna de águas profundas para reprogramar o armazenamento de energia.

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