- ONU, com 600 cientistas, alerta que os oceanos enfrentam crise crescente e exige ação global urgente.
- Cerca de 16% do aumento de calor nos oceanos ocorreu entre 2018 e o presente, com os mares absorvendo mais de 90% do calor extra e 30% do CO₂ atmosférico.
- O nível do mar está subindo mais rápido, passando de 2,0 mm ao ano antes de 2015 para 4,3 mm em 2023.
- O Ártico pode ficar sem gelo por meses de setembro já na década de 2030; o gelo antártico vem caindo desde 2016.
- Poluição por plástico e pesca predatória entram como grandes ameaças, com 52,1 milhões de toneladas de plástico despejadas anualmente e mais de 4.000 espécies marinhas afetadas; mineração em águas profundas também é alvo de preocupação.
Oceanos em crise cada vez mais grave, alerta relatório da ONU. O documento, produzido ao longo de cinco anos por 600 cientistas, aponta aquecimento acelerado, redução de gelo e pressão crescente sobre ecossistemas marinhos. A divulgação ocorreu nesta semana, no âmbito da terceira Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA).
O estudo destaca a dupla velocidade do aquecimento: entre 2018 e 2023, cerca de 16% do calor acumulado nos oceanos desde 1955 ocorreu nesse intervalo. Os oceanos absorveram mais de 90% do calor excedente e cerca de 30% do CO2 liberado pela queima de combustíveis fósseis.
Além disso, o relatório mostra o aumento da elevação do nível do mar, resultado da expansão das águas com o aquecimento e do derretimento de geleiras. A subida anual passou de 2,0 mm antes de 2015 para 4,3 mm em 2023, segundo as estimativas apresentadas.
Gelo e rotas oceânicas
O Ártico pode ficar sem gelo durante meses de setembro até meados do século, com possibilidades de início já na década de 2030, conforme o estudo. O derretimento afeta a geopolítica, abrindo rotas e intensificando a competição entre grandes potências.
No hemisfério sul, o gelo marinho da Antártida tem diminuído rapidamente desde 2016, contrastando com ganhos anteriores. Mudanças de gelo também alteram padrões de correntes e variabilidade climática regional.
Ecossistemas e espécies
A alteração climática remodela a vida marinha: peixes migram em busca de águas frias ou profundas, enquanto recifes de coral enfrentam ondas de calor e branqueamento. O relatório avisa que até 90% dos recifes podem desaparecer se o aquecimento superar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
A perda de biodiversidade aumenta os riscos para comunidades que dependem desses ecossistemas, e a pesca predatória intensifica a pressão sobre habitats sensíveis. Bombas de calor marinhas e tempestades frequentes reduzem o tempo de recuperação.
Poluição e mineração
O estudo aponta poluição por plástico como fator crítico, com 52,1 milhões de toneladas de resíduos despejadas anualmente e centenas de trilhões de partículas de microplástico em circulação. Ao todo, microplásticos afetam mais de 4 mil espécies marinhas.
A mineração em águas profundas também recebe atenção.* O relatório critica a ausência de regulação global robusta e alerta que a atividade pode gerar resíduos e ruído prejudiciais à vida marinha, ainda sem produção comercial em larga escala.
Chamado à ação
Os autores defendem cooperação multilateral mais forte, maior ambição científica e decisões com base em evidências. O texto celebra a entrada em vigor de um tratado da ONU para proteger a vida marinha em águas internacionais, considerado um marco para gestão oceânica.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforça a necessidade de tratar o oceano com responsabilidade compartilhada, ciência e respeito ao direito internacional. O documento enfatiza que o oceano não é ilimitado e requer mudanças urgentes nas políticas públicas.
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